Banco Central Europeu reduz compras de bônus de governos

Aquisições na semana passada representaram a menor quantia desde 10 de maio, quando o BCE iniciou as compras de títulos emitidos por países problemáticos

Ligia Sanchez, da Agência Estado,

19 de julho de 2010 | 16h36

O Banco Central Europeu (BCE) praticamente suspendeu suas aquisições de bônus de dívida pública na última semana, comprando apenas € 300 milhões (US$ 387,8 milhões) em títulos de governos. Trata-se do sinal mais claro até o momento de que seu controverso programa para apoiar países da zona do euro em situação de vulnerabilidade está nas etapas finais.

As aquisições de bônus pelo BCE na semana passada envolveram de longe a menor quantia desde que o banco começou a comprar títulos emitidos por Grécia, Portugal e outros países, em 10 de maio. Depois de comprar mais de € 16 bilhões na primeira semana, as quantias diminuíram para menos de € 1 bilhão há duas semanas. No total, o banco comprou € 60 bilhões em bônus de governos desde o início de maio.

A decisão para reduzir as aquisições aparece depois de sinais crescentes, nas últimas semanas, de menor pressão nos mercados financeiros europeus. O euro recuperou-se das perdas diante do dólar e está sendo negociado perto de US$ 1,30. Evidências de que a endividada Grécia está perto de atingir sua ambiciosa meta de redução de déficit para o ano também ajudaram a acalmar os nervos dos investidores. Autoridades do BCE consideram cada vez mais que a recuperação da economia da zona do euro é durável e afastaram a possibilidade de uma recessão de duplo mergulho, apesar de suas expectativas de crescimento mais lento no segundo semestre de 2010.

Mas alguns analistas questionam se o BCE está reduzindo as aquisições de bônus cedo demais. Os yields dos títulos de 10 anos da Grécia continuam acima de 10%, não muito abaixo do que estavam no começo de maio, quando o BCE começou a comprar dívidas de governo. Outra preocupação, de acordo com analistas, é que os resultados dos testes de estresse dos bancos europeus - que serão publicados na sexta-feira - reacendam as preocupações sobre o sistema bancário da região, o que forçaria o BCE a aumentar o ritmo de suas aquisições de bônus novamente. Isso, por sua vez, pode prejudicar a confiança dos investidores na capacidade do BCE de estar adiante da crise, especialmente depois de uma série de mudanças políticas no início deste ano.

A aquisição de bônus de governos foi a ação mais polêmica do BCE nos 12 anos de sua história. Ela expôs uma ruptura entre o BCE e o governo conservador da Alemanha. Os alemães temem que, ao aumentar a oferta de dinheiro, as aquisições de dívidas possam ser inflacionárias. O BCE prometeu manter a oferta de dinheiro estável esterilizando suas aquisições de bônus, ao absorver mais depósitos com juros dos bancos comerciais.

Economistas também temem que os sinais recentes de estabilidade econômica e financeira possam ser passageiros. Ainda que a zona do euro tenha previsão de crescimento anual do PIB de 3% ou mais no segundo trimestre, pesquisas de empresas sugerem que a recuperação pode estar começando a perder força, já que o crescimento enfraquece nos principais mercados de exportação, como EUA e China. As informações são da Dow Jones.

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