Banco Central prorroga intervenção no BVA por três meses

O anúncio ocorre após o Grupo Caoa ter pedido formalmente ao BC uma extensão do prazo para tentar fechar uma oferta de compra pelo BVA 

Eduardo Cucolo, da Agência Estado, e Leandro Modé, de O Estado de S. Paulo,

18 de abril de 2013 | 10h00

BRAsSLIA - O Banco Central informou que prorrogou o prazo de intervenção no Banco BVA por três meses. A informação foi publicada no BC Correio. O prazo original para a intervenção terminava nesta quinta-feira, 18.

O anúncio ocorre após o Grupo Caoa, do empresário Carlos Alberto de Oliveira Andrade, ter pedido formalmente ao BC uma extensão do prazo para tentar fechar uma oferta de compra pelo BVA, que está sob intervenção desde outubro do ano passado.

Segundo o assessor de Oliveira Andrade na negociação, Eduardo Garcia, o grupo quer mais uma semana para continuar as conversas com credores e investidores do banco. O prazo da intervenção termina hoje e o Estado apurou que a tendência era de que o BVA fosse liquidado.

Com isso, se juntaria ao grupo de instituições que quebraram nos últimos anos: Panamericano, Cruzeiro do Sul, Morada e Prosper e financeira Oboé. Se o BC aceitar o pedido, a informação terá de ser divulgada hoje.

A situação do BVA é inédita. Por isso, não há precedentes para tentar especular sobre a reação do BC ao pedido do Caoa. Algumas fontes a par do assunto consideram que dificilmente o prazo será estendido por apenas uma semana. Se o BC aceitar, a tendência é de que o prazo seja ampliado por pelo menos mais um mês. Procurado, o BC preferiu não comentar.

Os negociadores do Caoa argumentam que, com mais alguns dias, podem conseguir um acordo com os credores do BVA que ainda não aceitaram a proposta pelos depósitos no banco.

Oliveira Andrade está em uma cruzada para tentar comprar créditos de pessoas físicas, empresas e outras instituições que têm dinheiro no BVA. Ele estabeleceu que é necessária a adesão de 90% dos credores à sua proposta, o que equivale a aproximadamente R$ 900 milhões. Até ontem, segundo Garcia, a adesão chegava a R$ 650 milhões.

Risco. O esforço de Garcia e outros negociadores do Grupo Caoa é conseguir esses R$ 250 milhões remanescentes, que estão nas mãos de não mais do que uma dezena de investidores.

Entre eles está um fundo de investimentos gerido pela Drachma Capital, cujos cotistas são fundos de pensão de diferentes cidades do País.

Tanto para esse fundo quanto para todos os outros credores, Oliveira Andrade oferece pagamento de 35% à vista e a possibilidade de reaverem outros 35%, dependendo da recuperação dos empréstimos que estão na carteira do banco.

No caso do Drachma, houve uma tentativa de acordo sexta-feira, com a realização de uma assembleia de cotistas.

O encontro terminou sem consenso e o BNY Mellon, instituição responsável pela administração do fundo (não por sua gestão), tenta uma saída para o impasse. Ontem à noite, o banco informou, por meio de um comunicado, que a assembleia será reiniciada amanhã. Vale lembrar que, se o banco for liquidado pelo BC, a assembleia provavelmente não terá mais razão para continuar.

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