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Banco de fomento aprova crédito de R$ 2,3 bilhões para a Fibria

Recursos serão usados na expansão da unidade de Três Lagoas (MS), que será a maior fábrica do mundo do setor

Vinicius Neder, O Estado de S.Paulo

06 de maio de 2016 | 08h46

RIO - O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou um empréstimo de R$ 2,3 bilhões para a fabricante de celulose Fibria, a maior do mundo em fibras curtas. O crédito vai para o financiamento do projeto de expansão da unidade de Três Lagoas (MS), que será a maior fábrica do mundo após os investimentos de R$ 8,7 bilhões.

A operação, anunciada ontem, é a segunda do novo modelo de financiamento anunciado pelo BNDES há um ano, no qual o banco oferece parcela maior de crédito subsidiado para clientes que lancem títulos de dívida no mercado para financiar o mesmo projeto. No caso da expansão da unidade de Três Lagoas, a Fibria arrecadou R$ 675 milhões numa emissão em outubro do ano passado.

A Fibria nasceu da união entre Aracruz e Votorantim Celulose e Papel (VCP), após as duas companhias sofrerem perdas com investimentos arriscados no mercado futuro de câmbio. Desde a fusão, foram cinco anos trabalhando para reduzir o endividamento até anunciar o projeto de expansão, há exatamente um ano.

Com a nova linha de produção, a unidade industrial ampliará sua capacidade de produção em 1,75 milhão de tonelada por ano. O investimento, que era de R$ 7,7 bilhões no anúncio, em maio de 2015, foi incrementado em R$ 1 bilhão em novembro.

A indústria brasileira de celulose de fibra curta, voltada para a produção de papéis brancos, incluindo o papel higiênico, é considerada uma das mais competitivas do mundo, impulsionada por condições climáticas favoráveis e biotecnologia para o plantio da matéria-prima, o eucalipto.

Com a alta do dólar, ano passado, essa competitividade ficou ainda maior. Além disso, os preços internacionais da celulose, cotados em dólar e influenciados pela demanda da China, não sofreram como outros insumos produzidas pelo Brasil, como minério de ferro e petróleo.

Neste ano, os preços da celulose caíram um pouco e o dólar recuou, mas não a ponto de atrapalhar a competitividade da celulose nacional, segundo o chefe do Departamento da Indústria de Papel e Celulose do BNDES, André Biazus. “O câmbio ainda está favorável, assim como o preço da celulose”, disse.

O executivo do BNDES destacou que o novo modelo de financiamento da instituição de fomento, chamado Programa de Incentivo ao Mercado de Renda Fixa, não alterou o trâmite de análise do pedido de empréstimo.

O novo modelo foi concebido e anunciado no início do ano passado, quando a diminuição do BNDES era importante para tirar a pressão por mais gastos públicos. O programa, traçado em conjunto com a equipe do então ministro da Fazenda, Joaquim Levy, pretendia reduzir a concessão de crédito em TJLP (Taxa de Juros de Longo Prazo, hoje em 7,5% ao ano), diminuindo a necessidade de aportes do Tesouro Nacional como fonte de captação para o banco.

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