Banco do Brasil aumenta provisões para setor de óleo e gás e lucro desaba

Lucro líquido ajustado somou R$ 1,3 bilhão no primeiro trimestre, queda de 57,5% em um ano; BB era o maior credor da Sete Brasil, que entrou com pedido de recuperação judicial no final de abril

Aline Bronzati, O Estado de S.Paulo

12 de maio de 2016 | 08h57

SÃO PAULO - O Banco do Brasil encerra hoje a temporada de balanços dos grandes bancos de capital aberto do País no primeiro trimestre ao anunciar lucro líquido ajustado de R$ 1,286 bilhão, com declínio de 57,5% em um ano, de R$ 3,025 bilhões. Na comparação com o trimestre anterior, de R$ 2,648 bilhões, a redução foi de 51,4%.

O resultado do banco no primeiro trimestre, conforme relatório que acompanha suas demonstrações financeiras, foi impactado pela constituição de provisão relacionada ao setor de óleo e gás. 

No período, o BB reverteu provisão adicional de R$ 2,047 bilhões para provisão requerida. O banco era o maior credor da Sete Brasil, que entrou com pedido de recuperação judicial no final do mês passado, entre as grandes instituições e, segundo a lista de credores, concedeu mais de US$ 1 bilhão (R$ 3,7 bilhões) à companhia.

De acordo com Mauricio Maurano, vice-presidente de Atacado, Negócios Internacionais e Private Bank do Banco do Brasil, a Petrobrás e a Sete Brasil estão procurando um mediador para as negociações a respeito do número de sondas e, assim, avançar na conversa com os credores. O mediador deve ser, conforme ele, um banco de investimento. "Como credores, estamos acompanhando e esperamos que haja entendimento entre os dois grupos", afirmou ele a jornalistas, após a coletiva de imprensa, na sede do banco, nesta manhã. Maurano não soube dizer sobre o avanço do plano de recuperação judicial da Sete Brasil e reiterou que o BB, como credor, "só acompanha o caso". 

Segundo Maurano, o Banco do Brasil não tem outro pedido de recuperação judicial de uma grande empresa em seu radar além da Sete Brasil. Não há nenhum segmento específico, conforme ele, que demande maior preocupação no contexto atual. Ele afirmou, porém, que o setor de infraestrutura e as empresas envolvidas na Lava Jato, naturalmente, "preocupam mais".

O lucro líquido do BB considerando eventos extraordinários totalizou R$ 2,359 bilhões de janeiro a março, com queda de 59,5% ante o mesmo intervalo do ano passado. Ante os três meses anteriores, recuou 6,1%. A queda no comparativo anual, conforme a instituição, está relacionada à criação da Cateno, joint venture com a Cielo na área de gestão de cartões, naquele período.

Entre as diferenças do lucro líquido para o ajustado, o banco cita, em relatório, a provisão de mais de R$ 2 bilhões e ainda R$ 999 milhões por efeitos fiscais e participação nos lucros e resultados sobre itens extraordinários, R$ 382 milhões para planos econômicos e R$ 407 milhões de provisão extraordinária com demandas contingentes.

A carteira de crédito ampliada do BB, que considera títulos privados e garantias, encerrou março em R$ 775,603 bilhões, retração de 2,6% contra dezembro, de R$ 796,653 bilhões. Em um ano, quando os empréstimos somaram R$ 758,260 bilhões, foi visto aumento foi de 2,3%.

O destaque no período, segundo o BB, foram as operações voltadas às pessoa físicas, cujos empréstimos totalizaram R$ 185,895 bilhões no primeiro trimestre, montante 1,5% maior em relação aos três meses anteriores e 8,7% em um ano. Já a carteira de pessoa jurídica encerrou março com saldo de R$ 348,494 bilhões, quedas de 4,4% e 0,9%, respectivamente.

O BB fechou março com R$ 1,405 trilhão em ativos totais, aumento de 2,5% em um ano, de R$ 1,370 trilhão. Ante dezembro, quando a cifra estava em R$ 1,401 trilhão, o crescimento foi de 0,3%.

O patrimônio líquido do BB, por sua vez, foi a R$ 84,156 bilhões nos três primeiros meses deste ano, aumento de 0,7% em 12 meses e de 3,2% em relação ao trimestre anterior. O retorno sobre o patrimônio líquido médio ajustado, chamado pelo BB de RSPL, ficou em 5,6% ao final de março contra 14,5% e 12,0%, respectivamente. Considerando eventos extraordinários, o indicador foi de 10,5% no primeiro trimestre ante 29,3% em um ano e 11,4% no quarto trimestre.

Inadimplência. O índice de inadimplência do Banco do Brasil deve continuar subindo diante do cenário atual, segundo o vice-presidente de gestão financeira e de relações com investidores do BB, José Maurício Pereira Coelho. "É possível ter subida dos níveis atuais, mas o nível vai depender muito de quando a economia vai encontrar um novo ciclo de retomada", afirmou ele, em coletiva de imprensa, nesta manhã, ressaltando que a inadimplência do banco está sob controle e abaixo dos concorrentes, a despeito do cenário "extremamente desafiador".

O índice de inadimplência do BB, considerando atrasos acima de 90 dias, foi a 2,60% ao final de março, aumento de 0,36 ponto porcentual em relação a dezembro, quando ficou em 2,24%. No comparativo com o mesmo intervalo do ano passado, de 1,84%, a piora foi de 0,76 p.p.

De acordo com Walter Malieni Júnior, vice-presidente de controles internos e gestão de riscos do BB, o indicador no primeiro trimestre, dentre outros motivos, teve reflexo do aumento dos pedidos de recuperação judicial que cresceram cerca de 50% no primeiro trimestre ante um ano, conforme dados da Serasa Experian.

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