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Lucro do BB sobe quase 50%, mas banco é o único a registrar alta nos calotes

Segundo o presidente, Paulo Caffarelli, banco estatal tem exposição maior a micro, pequenas e médias empresas, um dos segmentos que mais sofreram com a crise no País

Aline Bronzati, Broadcast

10 Agosto 2017 | 07h50

Graças a corte de despesas e ao aumento de receitas com tarifas e serviços, o Banco do Brasil anunciou nesta quinta-feira, 10, um lucro líquido ajustado de R$ 2,649 bilhões no segundo trimestre deste ano, valor 47,1% maior que o registrado no mesmo intervalo de 2016. O desempenho foi em linha com o que tem prometido o presidente da instituição, Paulo Caffarelli, que quer aproximar a rentabilidade do BB à dos seus pares privados. Como ponto negativo pesou o aumento dos calotes – o banco estatal foi o único entre os grandes a apresentar alta no índice.

Considerando os atrasos acima de 90 dias, a inadimplência piorou pelo segundo trimestre consecutivo. Foi a 4,11%, ante 3,26% um ano antes. Em entrevista coletiva, Caffareli afirmou que o banco já esperava a alta como reflexo do cenário macroeconômico atual e que acredita na estabilidade do índice no segundo semestre.

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Segundo o executivo, a maior exposição do banco ao segmento de micro, pequenas e médias empresas explica o aumento da inadimplência, já que o setor foi um dos que mais sofreram com a crise no País. Caffarelli lembrou ainda que créditos concedidos a grandes grupos com elevados volumes também influenciaram os calotes. Segundo fontes, um dos exemplos é o caso da operadora Oi, que entrou com pedido de recuperação judicial no ano passado.

Apesar do aumento da inadimplência, a queda nas despesas de provisões para devedores duvidosos contribuiu para o resultado. Elas somaram R$ 6,658 bilhões no segundo trimestre ante de R$ 8,277 bilhões no mesmo período de 2016, um recuo de 19,6%.

Empréstimos. O ambiente econômico, no entanto, não tornou possível o crescimento do crédito. No final de junho, os empréstimos do BB somavam R$ 696,121 bilhões, valor 7,6% menor em relação há um ano. O resultado obrigou o banco a rever o guidance (meta) para a área. O BB espera que sua carteira de crédito encolha no máximo 4% neste ano e, na melhor das hipóteses, fique no zero a zero. Antes, previa de estabilidade a alta de 4%.

Caffarelli destaca, no entanto, que já há sinais de retomada. Segundo o executivo, a linha de consignado, com desconto em folha de pagamentos, teve em junho seu melhor desempenho desde meados de 2014 e os empréstimos pessoal e destinado a compra de veículos já demonstram sinais de recuperação.

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Em relatório, o UBS acendeu sinal amarelo no balanço do BB para as perdas na margem financeira e riscos ainda persistentes em inadimplência. Mas ressaltou a melhora do controle das despesas e do Retorno sobre o Patrimônio (ROE), que mede a rentabilidade do banco.

O banco estatal tem avançado no indicador ao longo do tempo, mas ainda está distante dos pares privados. Enquanto a rentabilidade do BB foi a 10,7% ao final de junho, a do Itaú permaneceu com conforto acima dos 20%, Santander em 15,8% e Bradesco em 18,2%.

Efeito XP. Uma nova unidade de captação de investimentos do Banco do Brasil já estava aprovada, mas foi acelerada após o Itaú Unibanco anunciar a compra de uma fatia na XP Investimentos, de acordo com Marcelo Labuto, vice-presidente de Negócios de Varejo do banco. A área nasce por meio de canais digitais e da rede física de agências, mas a instituição avalia a possibilidade de adotar o modelo de agentes autônomos, segundo ele.

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“A unidade já estava aprovada e, é claro, acompanhamos o movimento de concorrentes, não só do Itaú, mas de outros incluindo fintechs (startups do setor financeiro)”, disse Labuto ao Estadão/Broadcast.

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