Inter/ Divulgação
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Banco Inter compra fintech americana e prepara estreia nos Estados Unidos

Ações da empresa disparam após anúncio da aquisição da USEND, especializada no mercado de câmbio e que deve estrear também na área de investimentos; o valor do negócio não foi divulgado

Luísa Laval e Niviane Magalhães, O Estado de S.Paulo

27 de agosto de 2021 | 16h35

O banco Inter vai estrear nos Estados Unidos. A fintech anunciou a compra de 100% da fintech USEND (Pronto Money Transfer), que atua no mercado de câmbio e de serviços financeiros, especialmente na realização de remessas de dinheiro entre países. O valor do negócio não foi divulgado e depende de aprovações regulatórias, incluindo a do Banco Central e de entidades regulatórias americanas.

Com mais de 150 mil clientes, que também possuem acesso à compra de gift cards e recarga de celulares, a empresa norte-americana possui licenças para atuação como Money Transmitter em mais de 40 estados americanos, podendo oferecer aos residentes americanos serviços como wallet, cartão de débito, pagamento de contas, entre outros. Até o fim do ano, a empresa também quer lançar uma plataforma de investimento e seguros, além de lançar um cartão de crédito.

O anúncio animou o mercado nesta sexta-feira. As units do Inter operaram em forte alta durante o pregão inteiro e no fim da tarde estavam com alta de 6,36%. Como comparação, o Ibovespa tinha alta de 1,34%

Com a aquisição da USEND, o Inter planeja iniciar suas atividades financeiras nos Estados Unidos, ampliando a sua oferta de produtos financeiros e não financeiros tanto para os residentes americanos, quanto para seus clientes brasileiros, integrando as soluções USEND à plataforma Inter.

“O Inter terá a vantagem de contar com estrutura e base de clientes sólidas, se posicionando como um full digital banking nos EUA, oferecendo produtos e serviços mais baratos, justos e eficientes", afirma João Vitor Menin, presidente do Inter.

O negócio também servirá para testar o modelo de negócio do banco fora do País, além de dar acesso ao banco brasileiro a um mercado totalmente novo. Essa é a visão dos analistas Jörg Friedemann e Gabriel Nóbrega do Citibank. 

Segundo eles, outro fator para ficar de olho é no custo com a integração da USEND com o banco Inter, ainda mais em um momento em que o dólar não para de subir. Para completar, há uma forte concorrência. “O mercado dos EUA também assistiu a um aumento de fintechs, colocando ainda mais pressão no cenário já competitivo”, escreveram.

Na visão de Luis Sales, analista da Guide Investimentos, a possibilidade do Inter em atuar em diversos estados americanos logo na estreia é um fator que chamou a atenção do mercado.  "Com autorização para atuar em mais de 40 estados naquele país, o negócio deve gerar importantes sinergias", diz Sales. 

De acordo com o Inter, os principais executivos da USEND seguirão à frente da operação americana e liderarão a integração, bem como a expansão para mercados adjacentes como os de crédito e corretagem de valores, que estão nos planos do Inter para o território americano.

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