Banco Mundial vê risco maior de reversão de investimento em emergentes

A expansão de emergentes pode ser afetada pela queda nos preços dos ativos e aumento da inadimplência, 'especialmente em emergentes que aumentaram muito o crédito interno', diz Zoellick

Ricardo Gozzi, da Agência Estado,

19 de setembro de 2011 | 16h32

As crises da dívida na Europa e nos Estados Unidos estão elevando o risco de que venha a ocorrer uma reversão no fluxo de investimentos nos países emergentes, muitos dos quais serviram de propulsores para a recuperação econômica global no ano passado, declarou hoje o presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick.

Durante entrevista coletiva concedida hoje em Washington, Zoellick também manifestou a expectativa em que as reuniões previstas para ocorrer em Washington esta semana estimulem os representantes dos países ricos a adotarem ações mais cooperativas entre si.

Antes de a crise da dívida europeia ter ingressado em uma nova e mais perigosa fase, entre o fim de julho e o início de agosto, o bom desempenho das economias de países como a China e o Brasil ameaçaram superaquecer essas economias. A situação levou autoridades monetárias emergentes a adotarem mecanismos de política fiscal e monetária destinados a impedir um possível superaquecimento. Agora, porém, os ativos dos países em desenvolvimento estão sendo atingidos e a demanda das nações mais ricas está em declínio.

"No momento, existe um risco novo e maior", declarou Zoellick. Apesar de os dados de investimento estrangeiro direito continuarem saudáveis, "os recuos nos mercados e a diminuição da confiança podem causar derrapagens nos investimentos em países desenvolvidos e também uma retração entre seus consumidores", declarou.

Se a crise da dívida europeia agravar-se e espalhar-se para os mercados norte-americanos e de outras partes, o Banco Mundial "estima que o crescimento dos países em desenvolvimento será afetado, com queda nos preços dos ativos e aumento da inadimplência, especialmente nos mercados emergentes que aumentaram muito o crédito interno", prosseguiu Zoellick.

Na entrevista, Zoellick descartou a hipótese de as economias emergentes resgatarem financeiramente a Europa. Ao invés disso, acredita ele, a Europa precisa encontrar uma solução para seus próprios problemas. As informações são da Dow Jones.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.