Bancos brasileiros aumentam exposição no exterior para US$ 63 bi

Volta da expansão do crédito mundial estimulou instituições a emprestarem para economias estrangeiras

Jamil Chade, de O Estado de S. Paulo,

21 de julho de 2010 | 14h53

A volta da expansão dos créditos pelo mundo também foi seguida pelos bancos brasileiros, que ampliaram suas atividades no exterior e voltaram a emprestar para economias estrangeiras. Segundo os dados do Banco de Compensações Internacionais (BIS, na sigla em inglês), os bancos brasileiros têm hoje uma exposição nos mercados estrangeiros de US$ 63 bilhões, depois de uma queda em 2009.

No ano passado, seguindo a tendência mundial, os bancos brasileiros diminuíram sua exposição nas economias emergentes e ricas. Em 2009, as instituições baseadas no País retraíram seus empréstimos no mundo em US$ 9,9 bilhões. A diminuição foi mais acentuada que em 2008, quando o corte de linhas de crédito e de empréstimos chegou a US$ 4,5 bilhões.

Com a retração, a exposição total dos bancos com base no Brasil no exterior fechou 2009 com US$ 54,1 bilhões no mundo. Em 2007, no auge da presença brasileira no exterior, o volume de créditos era de US$ 65,2 bilhões.

Em apenas três meses de 2010, a recuperação já foi sentida. Mas o volume de créditos ainda não bateu o recorde de 2007. Grande parte da retração de créditos dos bancos do País foi para o setor produtivo, uma redução de US$ 6,4 bilhões em 2009. Uma parcela importante da retração dos bancos brasileiros havia ocorrido no início de 2009. Mas no último trimestre do ano, a redução voltou a ser sentida, com a retirada de linhas de crédito US$ 5,2 bilhões em apenas três meses.

Apesar da recuperação, os dados do BIS apontam que os bancos brasileiros ainda representam uma fatia pequena no volume de créditos no mundo. Em 2009, a exposição total de bancos foi de US$ 30,4 trilhões.

Os países ricos são os principais destinos dos créditos e empréstimos de bancos situados no País. A exposição dos bancos brasileiros nos mercados ricos chegou a US$ 31 bilhões em 2010. Desse total, US$ 17 bilhões estão na Europa e US$ 13 bilhões nos Estados Unidos.

A exposição brasileiros nos mercados emergentes chega a US$ 14 bilhões, dos quais 87% está na América Latina. Em três meses, a ampliação da exposição foi de US$ 4 bilhões. O país da região com maior exposição brasileira é o Chile, com US$ 5,7 bilhões de empréstimos nacionais à economia no Pacífico em 2009. Entre janeiro e março de 2010, o volume já havia subido para US$ 6,5 bilhões.

Na Argentina, a exposição passou de US$ 1,2 bilhão em 2009 para US$ 2,6 bilhões em 2010. US$ 17 bilhões ainda estão em centros offshore.

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