Bancos criam grupo para discutir financiamento de longo prazo

Para presidente do Santander e da Febraban, esse é o maior desafio que surge na nova agenda do governo brasileiro

Altamiro Silva Júnior, da Agência Estado,

30 de setembro de 2010 | 14h06

Os bancos hoje não têm condições de dar crédito a longo prazo para financiar os projetos de investimento das empresas brasileiras, afirma o presidente do Santander e da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Fabio Barbosa. Para ele, esse é o maior desafio que surge na nova agenda do governo brasileiro. A Febraban criou um grupo de discussão para debater o assunto. Os executivos estão se reunindo com o governo para avaliar mudanças necessárias . "Não é possível emprestar no longo prazo, dando crédito de 10, 15 anos, se somente há funding de curto prazo, no overnight."

Para Barbosa, para criar um mercado de empréstimos de longo prazo é preciso desenvolver um mercado secundário, para dar liquidez a quem comprar papéis de maior prazo. Outra mudança é a criação de instrumentos de captação de longo prazo para os bancos. "A letra financeira é uma primeira tentativa", disse ele. Além disso, é preciso desenvolver um arcabouço jurídico para permitir essas operações.

"É um risco muito grande submeter o sistema financeiro a um grande descasamento, captando no curto prazo e emprestando no longo prazo", destaca o presidente do Santander. Segundo ele, hoje alguns bancos têm feito alguns empréstimos de maior prazo para empresas de primeira linha. "Mas ainda é algo marginal."

No Brasil, diz o executivo, se criou uma cultura de que financiamento de longo prazo tem de ser em dólar, com as empresas captando recursos no exterior. "Precisamos criar esse mercado em reais. O País não pode depender apenas do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para empréstimos de longo prazo."

Barbosa participou esta manhã do "V Seminário Internacional - Brasil 2011 Estratégias para um País em expansão", promovido pela Acrefi em São Paulo. 

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