Bancos de Wall Street reduzem atuação no Brasil

Há poucos meses, o gigante de Wall Street Goldman Sachs Group era otimista em relação ao Brasil, dizendo que planejava aumentar em cerca de 15% seu quadro de 300 funcionários no País.

Agencia Estado

23 de agosto de 2013 | 21h37

Este mês, porém, o Goldman adotou um tom diferente. Apontando para um recuo de 11% no mercado acionário brasileiro desde abril e de 20% desde o início do ano, o Goldman afirmou que o número de funcionários da empresa no Brasil diminuiu modestamente este ano e que o banco deve manter o quadro menor, em vez de acrescentar as 50 pessoas planejadas anteriormente.

"Seria irresponsável não levar em conta as mudanças nas condições do mercado para avaliar os níveis adequados de funcionários", disse um porta-voz do Goldman.

A mudança destaca como os bancos de investimento na economia brasileira estão sentindo a pressão da queda nos mercados e do baixo crescimento do País. A perspectiva de crescentes taxas de juros nos EUA também reduziu o apetite dos investidores por mercados emergentes como o Brasil.

Este ano, o Barclays fechou sua unidade de pesquisa no País, eliminando diversos empregos. O porta-voz do banco se recusou a comentar o assunto.

A economia brasileira desacelerou fortemente desde o crescimento de 7,5% em 2010. O Produto Interno Bruto (PIB) cresceu somente 0,9% no ano passado e economistas projetam crescimento de pouco mais de 2% para este ano e o próximo.

Com o enfraquecimento do setor bancário, os bancos internacionais de investimento que entraram no Brasil nos últimos anos foram fortemente prejudicados. Em 2010, os bancos internacionais representavam 64% da receita de bancos de investimento no mercado brasileiro, segundo a provedora de dados Dealogic. Até agora este ano, eles representam somente 49% dessa receita.

Os negócios em outras partes dos mercados de capital do Brasil também estão desacelerando, apesar de alguns grandes negócios. A Petrobras vendeu US$ 11 bilhões em bônus em maio - a maior venda de dívida de um mercado emergente. Mas, no geral, a emissão internacional de bônus por companhias brasileiras caiu mais de 16% no primeiro semestre em relação ao mesmo período do ano passado, segundo a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).

Mas nem todo grande banco está diminuindo sua presença no País. O Credit Suisse afirmou que vai acrescentar 40 pessoas aos seus 780 funcionários atualmente no Brasil. "Nós já vimos muitos altos e baixos no decorrer dos anos no Brasil, mas não recuamos", disse José Olympio Pereira, presidente do Credit Suisse no Brasil. Fonte: Dow Jones Newswires.

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