Bancos dizem que há dificuldade com linha para exportação

Para o diretor da Pioneer Corretora de Câmbio, BC tem recursos para fazero que é preciso para que o câmbio continue flutuando

Nalu Fernandes e Cristina Canas, da Agência Estado,

23 de setembro de 2011 | 16h00

Os bancos têm manifestado dificuldades quanto à disponibilidade de linhas para exportação, cita o diretor da Pioneer Corretora de Câmbio, João Medeiros. O executivo, porém, ainda não vislumbra uma crise de liquidez. "Isso são os bancos, ardilosamente, provocando uma situação de que está faltando linha para cobrar uma taxa de juros mais alta", afirmou nesta sexta-feira, 23, em entrevista ao AE Broadcast Ao Vivo.

A munição que o BC tem disponível, prosseguiu Medeiros, em relação às reservas internacionais, aumentou para US$ 350 bilhões. Com isso, o BC pode fornecer liquidez se as empresas tiverem dificuldade no acesso aos bancos. "O BC tem linha (recursos) e habilidade para fazer tudo que nós precisamos para que o Brasil (câmbio) continue flutuando", acrescentou.

Medeiros também observa que os exportadores têm cerca de US$ 77 bilhões em contas no exterior, oriundos das exportações e que servem, por exemplo, para honrar compromissos de exportação ou fazer hedge. "Hoje é o Brasil que está dando crédito para outros", acrescentou.

Além da aversão ao risco em escala global, o diretor de câmbio da Pioneer observa que a valorização do dólar é, em especial, reflexo da asfixia provocada pelo IOF sobre operações no mercado futuro de câmbio. "(A medida) não separou o que seria especulação e o que é operação de proteção dos exportadores brasileiros", disse. "Todo mundo foi colocado no mesmo saco". Isso, prossegue Medeiros, prejudicou seriamente os exportadores de soja. "A grande diferença do mercado brasileiro e do mercado internacional é que a Bolsa de Chicago consegue separar uma coisa da outra, e na BM&F ainda não importamos este mecanismo que separa o joio do trigo".

Medeiros cita que, na última reunião com a Receita, o governo disse que lamentava o ocorrido, mas que, inicialmente, os exportadores iriam pagar o aumento da exposição vendida acima dos US$ 10 milhões. "Na realidade, o mercado secou, além de todo o problema que vem se agravando lá fora". Antes da escalada do dólar, o analista, bem como o mercado em grande parte, trabalhava com expectativa de dólar em torno de R$ 1,65 ao fim do ano. Hoje, para o período, o mercado começa a trabalhar com expectativa para o dólar na "taxa mágica que os exportadores queriam, de R$ 1,89/dólar".

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