Bancos europeus enfrentam € 300 bi em perdas com crise, diz FMI

Em relatório, Fundo utilizou esse dado para destacar a importância de aumentar os colchões de capital dos bancos 

Álvaro Campos, da Agência Estado,

21 de setembro de 2011 | 11h36

Os bancos europeus enfrentam um prejuízo potencial de cerca de 300 bilhões de euros com a crise da dívida soberana da zona do euro, afirmou hoje o Fundo Monetário Internacional (FMI), ao mesmo tempo em que pediu que os bancos levantem capital para proteger a economia global de novas turbulências.

O Fundo disse que tensões fiscais vindas dos membros mais fracos da zona do euro tiveram um impacto direto de cerca de 200 bilhões de euros nos bancos da União Europeia desde que a crise da dívida soberana começou, no ano passado. Além dos bônus governamentais, a queda no preço de ativos bancários elevou os riscos de crédito entre os bancos para o total de 300 bilhões de euros.

O FMI alertou que o valor - baseado em medidas de mercado recentes - não representa necessariamente o tamanho do déficit de capital nos bancos europeus, afirmando que tal avaliação exige uma análise mais detalhada dos balanços desses bancos. Mas no relatório divulgado antes de sua reunião anual, o Fundo utilizou esse dado para destacar a importância de aumentar os colchões de capital dos bancos.

O FMI afirmou ainda que a crise de crédito global "entrou em uma nova fase, mais política", com os governos lutando para colocar suas contas em ordem e grandes países da Europa discutindo como resgatar seus vizinhos. Segundo o Fundo, as recentes turbulências na zona do euro, o rebaixamento do rating dos EUA e déficits de capitais nos bancos renovaram as ameaças à estabilidade financeira em todo o mundo, a medida que o crescimento desacelera.

"Está se esgotando o tempo para resolver as vulnerabilidades existentes", diz o FMI no Relatório sobre Estabilidade Financeira Global. "O conjunto de políticas que são economicamente viáveis e politicamente factíveis está encolhendo, a medida que a crise entra em uma nova fase, mais política".

O Fundo cobrou que as autoridades da zona do euro ratifiquem o acordo para expandir a Linha de Estabilidade Financeira Europeia (EFSF, na sigla em inglês). Mas também reconheceu que os mercados permanecem céticos em relação à capacidade do mecanismo de aliviar a pressão sobre os bônus da Bélgica, Itália e Espanha.

Segundo o FMI, quase metade dos 6,5 trilhões de euros em bônus soberanos emitidos por países da zona do euro mostram sinais de risco de crédito elevado. Com esses enfraquecidos títulos em suas carteiras, os bancos precisam levantar capital nos mercados, se possível, ou por meio do auxílio dos governos, em alguns casos.

O FMI está soando o alarme em parte em razão dos receios de que os bancos podem responder aos déficits de capital elevando as taxas de juros dos seus empréstimos e restringindo a oferta de crédito, prejudicando a economia já fragilizada de muitos países. Em um dos cenários estudados, o FMI estima que condições piores de crédito podem reduzir o crescimento na zona do euro em 3,5 pontos porcentuais e nos EUA em 2,2 pontos porcentuais - o que levaria essas economias a uma recessão.

Mercado

José Viñals, diretor do Departamento de Mercados Monetários e de Capitais do Fundo Monetário Internacional (FMI), afirmou hoje que os mercados estão superestimando os riscos com a crise da dívida soberana na Europa. "Em relação ao risco soberano, nós estamos vendo um certo grau de exagero", comentou, durante uma entrevista para a divulgação do Relatório sobre Estabilidade Financeira Global. "Isso não significa que não existam problemas reais subjacentes", acrescentou.

Mais cedo, o FMI divulgou o relatório, no qual afirma que os bancos europeus enfrentam um prejuízo potencial de cerca de 300 bilhões de euros com a crise da dívida soberana da zona do euro. O Fundo pediu que os bancos levantem capital para proteger a economia global de novas turbulências. As informações são da Dow Jones.

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