Bancos precisam se preparar para alta dos juros, diz FDIC

Segundo Sheila Blair, bancos devem tomar medidas agora para lidar com a realidade de que as taxas eventualmente subirão

Clarissa Mangueira, da Agência Estado,

19 de março de 2010 | 14h42

A presidente da Corporação Federal de Seguro de Depósito (FDIC, na sigla em inglês), Sheila Bair, disse que está confiante de que o Federal Reserve não irá provocar qualquer "mudança sísmica" quando decidir aumentar as taxas de juros, mas os bancos devem tomar medidas agora para lidar com a realidade de que as taxas eventualmente subirão. "Não é se, é quando", afirmou Bair, em uma conferência da comunidade bancária, realizada na Flórida (EUA).

 

"Temos feito todos os esforços para assegurar que os bancos estejam conscientes disso e que estejam se preparando para este momento", acrescentou a presidente do FDIC.

 

Segundo Bair, o risco da taxa de juros, ao contrário dos riscos inerentes aos produtos exóticos e à securitização de hipotecas, é algo que o setor bancário, em geral, compreende. Os bancos têm "uma compreensão mais profunda deste risco" e há uma série de estratégias de negócio comprovadas que pode ajudar as empresas a enfrentarem a tempestade, disse ela.

 

Além disso, Bair destacou que está preocupada com o considerável déficit orçamentário dos EUA e que efeito terá sobre as taxas. "Uma vez que o Tesouro tem mais e mais demandas por emissões de dívidas para financiar o déficit, isto pode ter um impacto", afirmou Bair. "Esta parte está além do controle do Fed e dos reguladores bancários, e eu sei que o Congresso está focado no déficit, mas ele é um problema muito real."

 

Bair, cuja agência tem de lidar com um crescente número de falências de bancos, disse que o setor ainda está enfrentando as conseqüências dos erros que levaram à crise financeira. O FDIC espera que as falências bancárias atingirão seu auge no terceiro trimestre deste ano, dado o número de instituições que ainda estão sob um estresse significativo.

 

Ela acrescentou que essas falências não são semelhantes à crise das instituições de poupança e crédito ocorrida no final dos anos 1980 e início dos anos 1990, quando cerca de 750 dessas instituições quebraram. As informações são da Dow Jones.

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