REUTERS/Guadalupe Pardo
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Bancos vão antecipar dinheiro para Odebrecht pagar R$ 500 mi amanhã

Empresa tem até sexta-feira para quitar títulos vencidos em abril; restante dos recursos, previstos no empréstimo de R$ 2,6 bilhões acertado na segunda-feira, virá com a emissão de debêntures, que darão fôlego ao caixa da companhia

Renée Pereira e Aline Bronzati, O Estado de S.Paulo

24 Maio 2018 | 04h00

Bradesco e Itaú vão antecipar parte do empréstimo de R$ 2,6 bilhões para a Odebrecht pagar nesta quinta-feira, 24, os títulos de R$ 500 milhões que venceram no fim de abril. O restante virá depois com a emissão das debêntures – papéis que serão lançados e comprados pelos bancos. O acordo acertado na noite de segunda-feira, conforme antecipou o ‘Estado’, prevê a concessão de um crédito dividido em duas parcelas: uma de R$ 1,7 bilhão e outra R$ 900 milhões.

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Além dos títulos vencidos em abril, a construtora Odebrecht tem cerca de R$ 600 milhões em juros para pagar nos meses de setembro, outubro e novembro. Esse montante, somado aos títulos e juros já vencidos, deve consumir quase metade do empréstimo a ser liberado. No total, a construtora tem US$ 4,55 bilhões (R$ 16 bilhões, pela cotação desta quarta-feira) emitidos no exterior e que vencem entre 2020 e 2042.

Depois de quatro meses de intensas negociações, os últimos detalhes do novo empréstimo foram concluídos na terça-feira e a assinatura do contrato fpo realizada nesta quarta. O acordo dá um alívio para o caixa da empresa, que vive uma grave crise financeira depois que virou a principal personagem da Operação Lava Jato. O envolvimento no esquema de corrupção aliado à crise fiscal do País, que derrubou o volume de investimentos, fez a carteira de obras da construtora cair para menos da metade – de US$ 33 bilhões para US$ 14 bilhões.

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Futuro. Com a dívida equacionada, a empresa parte agora para tratar de outras questões que ficaram paradas durante as negociações do acordo. Uma delas se refere ao futuro da Braskem, hoje o principal ativo da Odebrecht em parceria com a Petrobrás. A estatal já decidiu que quer deixar a sociedade e, para isso, precisa renegociar o acordo de acionistas da empresa. Na Odebrecht, fontes afirmam que há intenção de continuar no setor petroquímico, mesmo que de forma minoritária.

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A lista de pendências que deverá ser retomada inclui ainda a venda de alguns ativos dentro do programa de desinvestimento do grupo. Há expectativa de se retomar as negociações para se desfazer da Hidrelétrica de Santo Antônio, no Rio Madeira. A participação do grupo chegou a ser negociada com a chinesa Spic, mas estava parada.

A Odebrecht também deverá reforçar a busca de novos sócios para alguns negócios do grupo. A Atvos, antiga Odebrecht Agroindustrial, por exemplo, busca desde o fim do ano passado um novo investidor para acelerar seu processo de investimentos. Outra opção da empresa, que precisa de capital de giro para ampliar a operação, seria a abertura de capital. Tudo isso, no entanto, dependia do fechamento do acordo para pagar a dívida vencida em abril.

Dentro da empresa, o fechamento do acordo é visto como o início de uma safra de boas notícias, que seria seguida pela assinatura do acordo de leniência do grupo com a Advocacia-Geral da União (AGU), Controladoria-Geral da União (CGU) e Tribunal de Contas da União (TCU). Superada essa fase, a próxima meta é sair da lista negra da Petrobrás. Fontes apontam, no entanto, que para superar a crise a construtora precisa renovar a carteira de obras. Hoje a construtora é responsável por 23% das receitas do grupo.

Braskem. Após várias conversas com a Odebrecht com o objetivo de comprar a Braskem, a companhia holandesa LyondellBasell prepara uma nova oferta pela petroquímica, segundo fontes com conhecimento do assunto.

Terceira maior produtora global de resinas, aempresa passaria a ser líder global do setor com a aquisição da companhia brasileira, que tem a Odebrecht e a Petrobrás como controladoras. A holandesa já teve conversas com o grupo brasileiro em outubro e em dezembro do ano passado, apurou o Estado.

Como a Petrobrás já anunciou sua intenção de se desfazer da Braskem, o desafio da LyondellBasell seria a negociação com a Odebrecht. O grupo, em dificuldades financeiras após o envolvimento na Operação Lava Jato, cogitaria manter uma parte das ações, para virar sócio, ainda que minoritário, de uma companhia bem maior, segundo fonte próxima ao tema. A holandesa voltaria a ter ativos no Brasil com o negócio – no passado, atuou no País em parceria com a Suzano.

A Odebrecht negou ter recebido proposta. A Braskem e a Lyondell Basell não comentaram. A Petrobrás não respondeu o contato da reportagem.

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