Batata e abóbora viram alvo de boicote na Argentina

Inspirados no boicote ao tomate, consumidores querem redução de 50% no quilo dos alimentos

Marina Guimarães, da Agência Estado,

23 de outubro de 2007 | 17h19

Depois da guerra ao tomate, os consumidores argentinos iniciam nesta terça-feira, 23, um boicote contra a batata inglesa e a abóbora. O boicote contra o tomate fez o produto baixar de 16 para 7 pesos/quilo (R$ 9,11 para 3,98), em uma semana, mostrando ser muito mais eficiente que os "acordos" de preços impostos pelo governo de Néstor Kirchner aos supermercadistas e indústrias de alimentos. Até o presidente elogiou as associações de consumidores que impulsionaram o luta contra a alta do tomate. O Centro de Educação ao Consumidor (CEC), a Associação de Defesa de Usuários e Consumidores (Aducc) e União de Usuários solicitaram reunião com representantes da cadeia de comercialização da batatinha e da abóbora para analisar os preços e pedir a baixa do produto, como a população exige. No entanto, alegando "ausência de respostas", as entidades lançaram um apelo à população para que se engaje em uma campanha de boicote. O quilo da batata inglesa custa 5 pesos (R$ 2,85) enquanto a abóbora vale 10 pesos (R$ 5,70). As entidades querem uma redução de 50% no valor de ambos os alimentos. Faltando poucos dias para as eleições presidenciais (domingo próximo), a inflação continua sendo o calo no pé do governo Kirchner e sua candidata oficial, a primeira-dama Cristina Fernández de Kirchner. O boicote mostra claramente que os acordos anunciados pelo presidente não servem para nada além das fotos oficiais e que os preços reais são bem diferentes dos pretendidos pelo governo. Os números oficiais mostram inflação anual de 8,8% enquanto que os analistas e universidades apontam para uma cifra em torno de 16%. Tanto é assim que o secretário de Comércio Interior, Guillermo Moreno, o "xerife" dos preços, castigou as associações de consumidores que estão organizando o boicote. Moreno baixou uma resolução que lhe permite administrar do jeito que bem entender a distribuição de um subsídio anual que as entidades recebem. Com isso, aquelas que defendem os boicotes não receberão os 13 mil pesos (R$ 7.400) anuais de subsídios, segundo denunciou a presidente da CEC, Susana Andrada. "O fez para dar dinheiro às associações afins ao governo", disse. Moreno batizou as entidades que organizam o boicote de "terroristas", segundo boatos que circulam pelos corredores do Ministério de Economia.

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