Silvia Constanti/Valor
Silvia Constanti/Valor

Presidente da Oi renuncia ao cargo e reestruturação é colocada em xeque

Bayard Gontijo teria se desentendido com parte dos acionistas do grupo; empresa, que tem dívida bruta de R$ 49,3 bilhões, corre o risco de ter de entrar em recuperação judicial

Monica Scaramuzzo, O Estado de S.Paulo

10 Junho 2016 | 19h20

O executivo Bayard Gontijo não é mais o presidente da Oi, quarta maior operadora de telefonia do País. A renúncia ao cargo foi confirmada pela empresa na noite desta sexta-feira, 10. Marco Schroeder, diretor estatutário e administrativo da companhia, vai assumir o cargo. Desgastes de Gontijo com parte dos acionistas do grupo levaram o executivo a deixar a companhia, que passa por uma delicada situação financeira, apurou o ‘Estado’.

Com uma dívida gigante, em torno de R$ 50 bilhões ao fim do primeiro trimestre, a Oi corre contra o tempo para evitar um pedido de recuperação judicial. Fontes dizem que a reestruturação financeira em curso pela empresa pode ser comprometida.

A saída de Gontijo não era esperada. “Ele estava participando ativamente dos processos de renegociação das dívidas com os credores internacionais no início desta semana em Nova York”, afirmou uma fonte ao Estado. “Não parecia que estava prestes a deixar a companhia. Agora não sabemos como fica todo esse processo (de reestruturação das dívidas)”, disse a mesma fonte.

Gontijo, que era diretor financeiro e de relações com os investidores da operadora, assumiu a presidência da Oi em outubro de 2014, com a saída do português Zeinal Bava, após os escândalos financeiros envolvendo a família Espírito Santo, controladora da Portugal Telecom (PT), sócia da Oi. 

A intenção inicial era de que Gontijo ficasse interinamente no cargo, mas ele foi assumindo as funções do dia a dia do negócio e a busca por um outro executivo foi descartada pelos acionistas. O executivo foi ganhando a confiança do mercado e passou a conduzir o processo de reestruturação da operadora.

“Ele (Gontijo) estava muito estressado com todo esse processo pelo qual a Oi passa”, disse uma outra fonte familiarizada com o assunto. A Oi, que passou a ser uma companhia de capital pulverizado (sem controlador) em setembro de 2015, tem entre seus principais acionistas a Pharol (que reúne os acionistas da PT e detém maior parte das ações) e o BNDES.

Uma pessoa ligada à companhia afirmou que o executivo se desentendeu com parte dos acionistas estrangeiros e decidiu deixar a Oi. “Schroeder, que já está na empresa há muito tempo (desde 2002) e conhece todo esse processo de reestruturação da empresa, deverá conduzir as funções daqui para frente”, afirmou uma fonte ligada ao grupo.

Reestruturação. Em abril, a companhia anunciou oficialmente a contratação do banco americano Moelis para renegociar as dívidas com os credores internacionais, que respondem por mais de 70% das débitos da empresa. Caso as tratativas fracassem, o risco de recuperação judicial é mais próximo e poderá comprometer as atividades da empresa, que tem um gasto operacional de R$ 6 bilhões por ano. 

Neste mês, as ações da Oi estão entre os destaques da Bolsa. Os papéis PN acumulam alta de quase 77%, enquanto as ações ON registram ganhos de 96%. A CVM questionou a operadora que, na quinta-feira, divulgou comunicado informando que não havia fatos ou atos relevantes que justificassem as oscilações das ações.

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