Bayer pesquisa algodão que não amassa e canola com menos gordura

Gent (Bélgica), 17 - A Bayer Cropscience realizou nesta sexta-feira o segundo Science Forum. O fórum discutiu a utilização do RNA na produção de novos tipos de material transgênico, inovações na área do algodão, e a avaliação de risco de alimentos na Europa. A iniciativa do fórum tem como objetivo divulgar a biotecnologia e suas inovações, e construir diálogo com todos os elos da sociedade. "Não adianta apenas dizer para os consumidores que a biotecnologia é segura porque há forte evidência científica disso", diz Bernward Garthoff, diretor de tecnologia da Bayer CropScience. "É preciso tornar inteligível a informação necessária para que o público tire suas próprias conclusões". Atualmente, a Bayer trabalha com três tipos de lavoura: algodão, canola e arroz, produtos incorporados após a aquisição da Aventis Cropscience em 2001. No presente, a principal linha de transgênicos a empresa - a Liberty Link - está associada a resistência ao herbicida de mesmo nome fabricado pela Bayer. "Achamos que a aceitação pelo público será maior quando forem lançados produtos que tragam vantagens diretas ao consumidor", diz Lykele van der Broek, presidente da Bioscience, o braço biotecnológico da Bayer. Estão sendo desenvolvidos pela empresa atualmente canola que produz óleo com menor índice de gorduras saturadas e um algodão que produz roupas que não amassam, reproduzindo características de tecidos sintéticos. Em estágio menos adiantado, a empresa busca também transgênicos que possam ter uso farmacêutico e que possam ser utilizados como componentes industriais. A Bayer Bioscience gasta anualmente 85 milhões de euros anuais em pesquisa e desenvolvimento. A realização do fórum coincide com a inauguração ontem, de um novo centro de pesquisa em biotecnologia da empresa, dentro do campus da Universidade de Gent. O centro, que custou a Bayer aproximadamente 20 milhões de euros, pretende trabalhar em parceria com a universidade, um dos centros de excelência em pesquisa biotecnológica da Europa. Segundo Lykele van der Broek, a construção do laboratório na Bélgica reafirma a crença da empresa de que os transgênicos acabarão sendo liberados na UE. "Não estamos trabalhando com prazo para abertura desses mercados, estamos preparados para esperar o tempo necessário até que ocorra essa abertura, que e inevitável. A situação dos transgênicos na Europa ainda está longe de uma solução final. A Comissão Européia já encaminhou o fim de uma moratória na regulação da produção de lavouras geneticamente modificadas. Entretanto, cabe agora aos estados-membros da União Européia confirmar os regulamentos para que possa haver produção local.

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