Evaristo Sa/AFP
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BB quer fechar 9,3 mil vagas com reestruturação, diz presidente

Caffarelli afirmou que se o plano de aposentadoria incentivada não alcançar esse número, o banco deve esperar a saída natural dos funcionários, em torno de 2 mil por ano

Murilo Rodrigues Alves, Broadcast

21 Novembro 2016 | 09h33

BRASÍLIA - O presidente do Banco do Brasil, Paulo Caffarelli, disse nesta segunda-feira, 21, que enxugamento da estrutura administrativa significa a redução de 9,3 mil vagas. Se o plano de aposentadoria incentivada não alcançar esse número, o banco deve esperar a saída natural dos funcionários, em torno de 2 mil por ano. 

O BB divulgou algumas simulações da redução das despesas de acordo com a adesão ao plano de aposentadoria incentivada. Se 5 mil funcionários fizerem a adesão, a economia anual é de R$ 1,183 bilhão; se 10 mil optarem por se aposentar, a redução será de R$ 2,232 bilhões; se 15 mil fizerem a adesão, R$ 2,742 bilhões; na hipótese de todos aderirem, a economia é de R$ 3,048 bilhões (historicamente este último cenário não ocorre). 

Além da economia com o plano de aposentadoria, o BB estima em R$ 750 milhões a redução de despesas administrativas com o fechamento de 402 agências e na transformação de outras 379 em postos de atendimento. Em outubro, o BB já havia iniciado o encerramento de outras 51 agências. 

A adesão ao plano de aposentadoria incentivada é até 9 de dezembro. O público-alvo é de funcionários já aposentados pelo INSS e com, no mínimo, 50 anos e 15 anos de BB.

Segundo Caffarelli, se todos os 18 mil funcionários aderissem ao plano de aposentadoria apresentado hoje, o custo para o banco seria de R$ 2,7 bilhões, diluídos em sete meses.

Para incentivá-los à adesão, o BB oferecerá 12 salários mais indenização pelo tempo de serviço, que vai de um a três salários, a depender do tempo de banco. Caffarelli ressaltou, porém, que a adesão dos programas é voluntária. O presidente do maior banco do País afirmou que o custo anual da folha de pagamento do BB é R$ 3 bilhões superior à dos concorrentes privados.

Basileia. Segundo Caffarelli, a reestruturação do banco é essencial para que a instituição consiga alcançar 9,5% de capital principal em janeiro de 2019. O índice é uma exigência das novas regras de Basileia 3, acordo internacional que mede a relação entre o capital de um banco e o volume de empréstimos.

Atualmente, o nível de capital principal do banco é de 9,07%. "Essas medidas têm um papel significativo nesse movimento. Temos que melhorar nossa rentabilidade, cortar despesas e focar na constituição de um índice nos moldes requeridos sem contar com aportes do Tesouro", afirmou. 

Ele afirmou que, por uma questão prudencial, o banco quer se antecipar à data da exigência e pretende alcançar os 9,5% em julho do ano que vem. "Estamos trabalhando nesse processo do capital sem contar com efeitos extraordinários, como a venda de ativos", afirmou.

Hoje, a parte dos acionistas no patrimônio exigido é de 4,7%, mas, pelas regras de Basileia 3, esse piso ficará entre 7% e 9,5%. Esse adicional de capital próprio vai fazer com que o índice de Basileia - atualmente em 11% - chegue a 13% em 2019.

Caffarelli disse que o índice de capital principal do banco vem aumentando ao longo dos últimos meses. Em setembro de 2015 era de 8,07%, em março deste ano aumentou para 8,26% e junho deste ano, 8,42%.

Postal. O BB respondeu na sexta-feira aos questionamentos dos Correios sobre os motivos que levaram a instituição a não fazer um lance pelo Banco Postal. Além do BB, Bradesco e Itaú Unibanco também retiraram o edital e foram questionados pela estatal sobre o fracasso do leilão. Caffarelli disse nesta segunda-feira que o banco só tem interesse em continuar com o negócio se as condições forem revistas e o preço adequado para gerar resultados. 

Os bancos afirmam que os Correios pediram um preço muito alto pelo Banco Postal: R$ 600 milhões iniciais e outros R$ 600 milhões no começo do sexto ano da operação. Pela utilização da rede e participação nas tarifas bancárias, os Correios pediram outros R$ 2,4 bilhões ao longo dos primeiros dez anos do contrato.

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