BB vê cobre e alumínio afetando próximos resultados da Vale

Se o níquel foi um dos vilõesque no segundo trimestre ajudou a derrubar o lucro da Vale emrelação ao mesmo período do ano anterior, nos próximosexercícios a mineradora poderá sofrer com a tendência de baixanos preços do alumínio e do cobre, avaliou um banco deinvestimento nesta quinta-feira. Segundo relatório do BB Investimentos, o níquel, queparticipa com 16,4 por cento da receita da Vale, em 6 de agostoestava com uma cotação 63 por cento menor do que a de abril de2007. "O alumínio e o cobre ainda não apresentaram retração tãoforte em seus preços, como a verificada com o níquel. Essemovimento é esperado para os próximos exercícios e tende aprejudicar os resultados da empresa", afirmou o banco. A Vale divulgou na noite de quarta-feira lucro de 4,5bilhões de reais, queda de 21,7 por cento em relação a igualperíodo do ano passado. A receita, no entanto, foi recorde,devido a preços e vendas maiores. O resultado da empresa foi principalmente afetado pelavalorização do real, que impactou negativamente a receita e osativos da empresa no exterior, que aumentaram de peso depois dacompra da canadense de níquel Inco. Entretanto, o BB Investimentos se diz confiante no cenáriopara a Vale, apesar das dúvidas sobre o ritmo de crescimento daeconomia global. Segundo o relatório do banco, o fato de aChina, maior cliente da mineradora brasileira, projetarcrescimento de 8 por cento em 2008, abaixo dos índices quevinha registrando, não representa risco no curto prazo. "A intenção de adotar medidas restritivas ao crescimento jáera de conhecimento público, e os indicadores ainda permanecemem fortes níveis", avaliou o relatório. O fato de as concorrentes da Vale --BHP e Rio Tinto-- teremobtido maior ajuste no preço do minério de ferro para oscontratos deste ano também indica, segundo o BB, que no próximoano o aumento da commodity ainda será forte, "mesmo que abaixodos níveis de 2008", devido à manutenção da disparidade entre aoferta e a demanda. O banco ressaltou que as ações da empresa estãodepreciadas "oferecendo uma ótima oportunidade de investimentono médio prazo". De acordo com o relatório, um dos fatores que vem trazendovolatilidade aos papéis da mineradora é a expectativa sobre umapossível proposta de aquisição no mercado internacional, o quepoderia prejudicar seus níveis de endividamento. "Essa intenção foi sinalizada pela empresa como parte doplano de investimentos para os próximos anos", destacou odocumento. Para o analista André Segadilha, da Prosper Corretora, odestaque do segundo trimestre foi o desempenho operacional daVale e, assim como o BB, considera que as perspectivas sãofavoráveis para a empresa devido à manutenção da demanda porminério de ferro nas principais economias emergentes. Por volta das 11h10 (horário de Brasília), as açõespreferenciais da Vale caíam 0,57 por cento, para 36,50 reais,enquanto o Ibovespa caía 0,65 por cento. (Reportagem de Denise Luna; Edição de Roberto Samora)

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