BC alemão diz que economia do país terá contração ‘notável’ no 4º tri

Queda da economia ocorre principalmente devido ao enfraquecimento do setor industrial, o principal do país, escreveu o Bundesbank em relatório mensal

Clarissa Mangueira, da Agência Estado,

17 de dezembro de 2012 | 10h38

FRANKFURT - A economia da Alemanha está se dirigindo para uma contração "notável" no quarto trimestre deste ano e provavelmente se manterá à tona no próximo ano, escreveu o Bundesbank (Banco Central alemão) em seu relatório mensal, reiterando a previsão pessimista que apresentou no início deste mês.

A perspectiva foi divulgada em meio a relatos sobre o sentimento que sugerem que a economia da Alemanha, a maior da Europa e que continuou largamente imune à crise da zona do euro, pode estar atingindo seu ponto mais baixo.

"Os indicadores atuais apontam para uma queda notável na produção econômica no fim do ano", devido principalmente ao enfraquecimento do setor industrial, o principal do país, escreveu o Bundesbank. A perspectiva para as empresas alemãs se "deterioraram" em meio a uma desaceleração no crescimento global e a queda da demanda proveniente do restante da zona do euro, afirmou a autoridade monetária.

No início deste mês, o Bundesbank reduziu sua perspectiva para o crescimento alemão no próximo ano para 0,4% em relação à estimativa de alta de 1,6% divulgada em junho, e alertou que o país pode entrar em recessão durante os meses de inverno.

Qualquer desaceleração na Alemanha é preocupante porque o país tem sido o motor econômico da zona do euro nos últimos trimestres, se expandindo durante este ano, incluindo a alta de 0,2% no terceiro trimestre, apesar de muitas economias consideradas periféricas no bloco enfrentarem dificuldades.

Mesmo assim, o Bundesbank reiterou que "a fase fraca cíclica" da Alemanha pode ser curta, tendo em vista que as expectativas das empresas agora "se estabilizaram um nível alto" e começaram a se tornar positivas.

Embora seja improvável que a economia cresça no primeiro trimestre do próximo ano, "uma queda adicional poderá ser evitada", desde que as condições continuem "normais", afirmou a autoridade monetária.

Os indicadores antecedentes da Alemanha se estabilizaram nos últimos meses e parecem estar virando para cima. A pesquisa do instituto Ifo sobre as empresas alemãs mostrou uma alta em novembro, depois de seis meses consecutivos de declínio. O instituto com sede em Munique vai divulgar sua leitura de dezembro, na quarta-feira, e os especialistas preveem outro aumento. As encomendas de manufaturados da Alemanha se recuperaram mais que o esperado em outubro com a forte demanda externa, afirmou o Ministério da Economia no início deste mês. Enquanto isso, a pesquisa ZEW da confiança dos investidores alemães subiu inesperadamente na semana passada para seu nível mais alto desde maio.

Separadamente, o Bundesbank também prevê que a imigração líquida para a Alemanha aumentará para cerca de 350 mil pessoas, e continuará em um nível robusto de 250 mil em 2013 e 2014, enquanto as condições econômicas difíceis na periferia geográfica da Europa encorajam as pessoas a se realocarem. O fluxo de entrada deverá ajudar a conter a escassez de mão de obra no mercado de trabalho alemão e impulsionar a taxa de crescimento potencial do país, afirmou o banco central. As informações são da Dow Jones.

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