BC argentino age para segurar peso antes das eleições

Operadores estimam que a autoridade monetária tenha vendido US$ 150 milhões ao mercado ontem, totalizando US$ 700 milhões durante a semana

Marina Guimarães, da Agência Estado,

22 de outubro de 2011 | 10h03

Às vésperas das eleições presidenciais que devem reeleger a presidente Cristina Kirchner, no domingo, o Banco Central da República Argentina (BCRA) voltou a demonstrar poder de fogo para diminuir a pressão sobre o peso e impedir oscilações abruptas em sua cotação. Operadores estimam que a autoridade monetária tenha vendido ontem US$ 150 milhões ao mercado, totalizando US$ 700 milhões durante a semana. O dólar vendido por bancos e casas de câmbio ao público em geral se manteve estável em 4,235 pesos por dólar pelo terceiro dia consecutivo. A moeda negociada no mercado informal recuou 0,06%, fechando aos 4,465 (compra) e 4,47 (venda) pesos por dólar. O BCRA já queimou pouco mais de US$ 1 bilhão em reservas em outubro para conter a desvalorização do peso.

Nas operações denominadas "contado com liquidação", pelas quais o investidor compra bônus ou ações no mercado doméstico para vendê-los logo depois no exterior e obter divisas, a moeda foi cotada a 4,79 pesos. Os operadores ouvidos pela Agência Estado explicaram que embora existam temores de uma recessão global, que pressiona o mercado, a proximidade das eleições deste domingo é o componente mais forte que aumenta a demanda por dólares. Culturalmente, os argentinos se refugiam nas divisas em momentos pré-eleitorais e de ruídos internos ou externos.

Para inibir a demanda, supervisores do BCRA, da Administração Federal de Renda Pública (Afip), equivalente à Receita Federal, e da unidade de controle de lavagem de dinheiro fizeram blitze em várias casas de câmbio, informaram fontes do mercado. Além da atuação do BC para frear a alta desta sexta, a autoridade monetária também realizou operações no mercado futuro. A estratégia do BC nas últimas semanas, segundo análise da corretora Puente Hermanos, "permite inferir que logo após as eleições, tudo vai continuar sem grandes variações nem movimentos bruscos na cotação do câmbio, e marcando presença nos mercados à vista e de futuros, sustentando o princípio de flutuação administrada".

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