BC cita em relatório necessidade de ajuste do juro no curto prazo

'Desvios emrelação à meta, na magnitude dos implícitos nessas projeções, sugeremnecessidade de implementação, no curto prazo, de ajuste na taxa básicade juros'

Fernando Nakagawa e Fabio Graner, da Agência Estado,

22 de dezembro de 2010 | 09h36

O Banco Central admite que o cenário econômico piorou desde a divulgação do Relatório Trimestral de Inflação de setembro. No documento,  o BC subiu o tom ao tratar dasperspectivas para a política monetária. Ao comentar que as previsõespara a inflação "se posicionam acima da meta de 4,5% estabelecida peloCMN para a inflação em 2011", os diretores do BC afirmam que "desvios emrelação à meta, na magnitude dos implícitos nessas projeções, sugeremnecessidade de implementação, no curto prazo, de ajuste na taxa básicade juros".

Na edição de dezembro do documento, os diretores da instituição afirmam que "o balanço de riscos associado ao cenário prospectivo para a inflação evoluiu desfavoravelmente desde a divulgação do último Relatório". "Isso se manifesta, por exemplo, na elevação nas projeções de inflação", cita o documento.

Nesse trecho do documento, os membros do Comitê afirmam que, no âmbito externo, o principal risco está no preço das commodities. Segundo o texto, a chance de contaminação da economia brasileira por aumento desses preços "tem se exacerbado pelo processo, ainda em curso, de aumento da liquidez global". "O recente aumento de preços no atacado tem relação estreita com a alta dos preços das commodities no mercado internacional", reconhece o BC.

O documento afirma que, especialmente no caso dos preços agrícolas, foi possível observar aceleração forte no trimestre entre setembro e novembro, "o que alterou negativamente o cenário apresentado no último Relatório de Inflação". Apesar disso, o BC não admite que foi pego de surpresa. "Tal alteração em certa medida foi antecipada pelo Comitê e, de fato, parte substancial da elevação dos preços das commodities já foi incorporada aos preços ao consumidor."

Mesmo minimizando o efeito desses aumentos, o BC afirma que "um risco que se apresenta é de que as pressões oriundas do mercado de commodities perdurem, sem a contrapartida de movimentos, em sentido contrário, de ativos domésticos, o que, aliás, ocorreu em episódio recente". 

A reação da taxa Selic diante deste cenário, explicam os diretores do BC,tem como objetivo "conter o descompasso entre o ritmo de expansão dademanda doméstica e a capacidade produtiva da economia, bem como dereforçar a ancoragem das expectativas de inflação".

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