BC da Coreia vê necessidade de medidas para lidar com entrada de capital

 BC da Filipinas já está intervindo no câmbio e Cingapura cogita a possibilidade

Cynthia Decloedt, da Agência Estado,

27 de outubro de 2010 | 09h15

O presidente do Banco da Corea, o banco central da Coreia do Sul, Kim Choong-soo, disse que o governo precisa preparar medidas para lidar com eventuais problemas decorrentes da forte entrada de recursos no país. "Tendo em vista a experiência passada, não temos outra opção a não ser nos preocuparmos com os problemas que a entrada de capital traz para a administração macroeconômica", afirmou Kim em discurso preparado para uma seminário com empresários europeus em Seul.

"No longo prazo, devemos desenvolver o mercado de câmbio para garantir que as taxas de câmbio não flutuem amplamente durante períodos curtos de tempo, em consequência de grandes oscilações no fluxo de capital", disse.

Kim afirmou que seria adequado considerar opções macro de prudência para moderar o volume de entrada de capital e que a nação poderia tentar mitigar os riscos potenciais, embora não possa resolvê-los totalmente.

Os comentários sugerem que o governo está testando a reação do mercado. Na semana passada, o vice-ministro para Estratégia e Finanças, Yim Jong-yong, disse que o governo estava em busca de possíveis medidas para reduzir a volatilidade do fluxo de capitais, mas que um eventual plano só ocorreria após o encontro de cúpula de novembro dos líderes do G-20. 

Intervenção

O banco central de Cingapura disse que poderá intervir no câmbio para controlar a valorização da moeda local, destacando que a Ásia enfrenta riscos provenientes do aumento do fluxo de capital para a região.

"Cingapura tem visto um forte fluxo de entrada de capital desde o segundo semestre de 2009, em consequência do enfraquecimento generalizado do dólar norte-americano e do cenário relativamente positivo da economia de Cingapura", disse a Autoridade Monetária de Cingapura (MAS, na sigla em inglês), em sua revisão anual macroeconômica. "Em tais circunstâncias, o MAS pode intervir no mercado de câmbio para limitar as pressões de alta do dólar de Cingapura", acrescentou.

A Autoridade Monetária disse, entretanto, que esteriliza as intervenções no câmbio para manter a base monetária estável e que as intervenções têm pouco impacto na conta corrente dos bancos locais. 

É raro para o MAS discutir suas intervenções no câmbio. Pessoas próximas à questão disseram duas vezes à Agência Dow Jones no mês passado que o banco central vendeu dólares de Cingapura para enfraquecer a alta da moeda.

O MAS esclareceu ainda que a decisão de elevar o juro no mês passado teve por base a expectativa de que a atividade econômica permanecerá elevada e de que a economia do país continuará crescendo, embora em ritmo mais lento e sustentável. Ao mesmo tempo, as pressões sobre os custos domésticos subiram e o forte crescimento na renda impôs alta nos preços de alguns itens de consumo, observou o MAS.

O MAS utiliza o câmbio como instrumento de política monetária, já que a economia do país está fortemente relacionada à exportação. Em 14 de outubro, o banco central surpreendeu o mercado anunciando que iria direcionar o dólar de Cingapura em alta em ritmo um pouco mais rápido e que permitira sua elevação para levemente acima do meio de banda de oscilação.

O banco central das Filipinas já está intervindo no câmbio para "preservar o valor do peso de modo que oscile dentro de uma banda específica", disse o presidente do país, Benigno Aquino, em entrevista concedida para a Bloomberg. Segundo ele, a taxa de câmbio do peso deve ficar "estável" e seu movimento deve ser "administrável". A Bloomberg informou que os comentários foram feitos em um fórum em Hanói, no Vietnã.

As informações são da Dow Jones.

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