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BC descarta formação de bolha no mercado de imóveis

Para Anthero Meirelles, aumento do poder aquisitivo e maior bancarização impedem surgimento de bolha no setor

Célia Froufe e Fernando Nakagawa, da Agência Estado,

20 de setembro de 2011 | 17h31

O diretor de fiscalização do Banco Central, Anthero de Moraes Meirelles, descartou nesta terça-feira, 20, a existência de formação de uma bolha no mercado imobiliário brasileiro. "Não é um elemento que nos cause preocupação ou que seja um risco para estabilidade do sistema", disse durante entrevista coletiva. "Não existem elementos que sugiram formação de uma bolha", declarou.

Meirelles salientou que o surgimento de uma bolha no setor está fora do foco agora porque, no Brasil, há aumento de renda, maior poder aquisitivo e maior bancarização. "Não temos no Brasil nenhum movimento fora dos padrões e nenhum movimento que indique (uma bolha)", avaliou. Isso porque, de acordo com ele, as regras de concessão de crédito no País são restritivas. O Brasil adota uma oferta de crédito conservadora, mais voltada para a aquisição da primeira moradia em sua quase todos os casos. Além disso, segundo o diretor, o financiamento médio é de 65% do valor do imóvel.

Em 2005, conforme dados do Banco Central, o crédito imobiliário representava 1,3% do PIB e hoje está em torno de 4%. Atualmente, o crédito imobiliário representa 8% da carteira total de crédito. "Em relação ao G-20 (grupo dos 20 países mais ricos do mundo), há potencial grande de crescimento", considerou. Isso porque, segundo o diretor, a classe média começa a ter condições de adquirir sua casa própria.

Apesar de a inadimplência estar aumentando, o indicador também não traz temor para o BC, conforme Meirelles. "É um aumento que está se dando, mas acompanhamento de renda maior emprego maior, crescimento econômico e crescimento sustentável."

Bancos

Meirelles também rechaçou a avaliação de que bancos de médio porte podem ter enfrentado problemas de liquidez nas últimas semanas. Segundo ele, casos recentes de aquisição ou intervenções não representam um problema do setor e sim apenas uma fragilidade individual de cada instituição. "Foram problemas das instituições em temas como rentabilidade e sustentabilidade", disse.

Recentemente, quatro bancos de médio porte foram alvo de operações de compra ou intervenção: o Banco Matone foi comprado pelo JBS, o Schahin foi adquirido pelo Itaú e o BC anunciou intervenção no banco Morada e na Oboé Financeira. "Foi uma situação que se deteriorou ao longo do período. Essas instituições enfrentaram fragilidade e não conseguiram se reerguer, se reposicionar. Não é um problema de mercado", disse.

O diretor do BC ressaltou que essas instituições financeiras eram todas pequenas. Os maiores envolvidos, que são o Schahin e o Matone, representavam cada um 0,07% do total dos ativos do sistema bancário. No caso do Morada, a participação era de 0,02%.

Meirelles observou que os recentes casos não surpreenderam o BC porque o mercado bancário tem passado por grande mudança estrutural desde a crise financeira de 2008. "Depois de mudanças tão significativas em 2008, não é surpresa que algumas instituições estivessem em alguma situação com fragilidade", disse.

TPB

Meirelles disse ainda que a divulgação da Taxa Preferencial Brasileira (TPB) passará a ser mensal e que, com mais informações para os agentes, a medida deve aumentar a concorrência das instituições para os clientes. "É uma referência, uma informação adicional para a formação de crédito", resumiu o diretor. A taxa será divulgada com uma defasagem de 45 dias.

Essas taxas foram obtidas com base no mercado brasileiro, levando-se em conta os clientes de maior porte e menor risco de inadimplência. A tendência, segundo o Banco Central, é que, com a maior transparência, a dispersão diminua tanto para os clientes considerados melhores quanto para os de nível mais baixo.

Meirelles explicou que a TPB é uma taxa anual, formada a partir de uma média móvel trimestral. Assim, a taxa de 17,5% verificada em julho é uma média dos meses de maio, junho e julho. "A TPB serve para termos uma taxa comparável a outras taxas prime de outros países", disse o diretor. "Essa taxa mostra qual foi o médio desses clientes e serve de referência, como a taxa prime dos Estados Unidos", comparou. Segundo ele, o porcentual do indicador brasileiro está "muito próximo" da média de outros países do mundo.

Veículos

O diretor salientou que, com as medidas macroprudenciais adotadas no final do ano passado, a velocidade de crescimento do crédito geral arrefeceu, ficando em linha com uma trajetória de expansão em ritmo mais moderado e sustentável. Ele salientou que o saldo das operações de crédito ao final de junho era de R$ 1,83 trilhão, o que representa 47% do PIB ao final do semestre.

Segundo o diretor, o crédito para aquisição de veículos foi um dos itens mais afetados com as medidas. "(O crédito) vinha crescendo de maneira acelerada e agora está arrefecida", disse, acrescentando que comportamento similar foi visto no caso de consignados e crédito para pessoas físicas. 

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