AP Photo/Richard Drew
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BC dos EUA reduz estímulos à economia em mais US$ 10 bilhões

Fed mantém taxa de juros próxima a zero, mas descarta o desemprego como principal termômetro para futura mudança na política monetária

Reuters e Agência Estado,

19 de março de 2014 | 15h45

WASHINGTON - O Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, deu continuidade nesta quarta-feira, 19, às reduções do imenso programa de compra de títulos. A autoridade monetária anunciou que reduzirá as aquisições mensais de Treasuries e títulos lastreados em hipotecas para US$ 55 bilhões, ante US$ 65 bilhões. Esse é o terceiro corte realizado neste ano. A injeção de dinheiro na economia foi reduzida de US$ 85 bilhões para US$ 75 bilhões em janeiro e depois cortada para US$ 65 bilhões em fevereiro.

O Fed manteve a taxa de juros próxima a zero, mas descartou o desemprego como termômetro definitivo para avaliar a força da economia. Com isso, o BC dos EUA deixa claro que vai depender de uma série mais ampla de medidas e indicadores para decidir quando elevar os juros.

Apesar disso, a autoridade informou que abandonar a promessa de manter os juros até "bem depois" de a taxa de desemprego cair abaixo de 6,5% não indica qualquer mudança na política monetária.

A retirada dos estímulos dos EUA preocupa os países emergentes porque reduz a liquidez internacional e pode trazer turbulências aos mercados financeiros. Diante desse cenários, os BCs dos emergentes subiram suas taxas de juros, num movimento para tentar conter a fuga de capital.

Nesta quarta-feira, os dirigentes do Fed também reduziram as projeções de crescimento econômico dos EUA, mas melhoraram as expectativas sobre a situação no mercado de trabalho e elevaram as estimativas para a inflação.

Os membros do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) da instituição preveem agora que a economia norte-americana terá um crescimento de 2,8% a 3% em 2014, em comparação com a projeção de 2,8% a 3,2% anunciada em dezembro.

Já a inflação nos EUA neste ano deve ficar entre 1,5% e 1,6%. O banco central norte-americano também informou que espera que a inflação fique entre 1,5% e 2,0% em 2015, e entre 1,7% e 2,0% em 2016.

Sobre as condições do mercado de trabalho, o banco central prevê que a taxa de desemprego deve ficar entre 6,1% e 6,3% em 2014, ante 6,3% e 6,6% na previsão anterior. Em 2015, a taxa de ficar entre 5,6% e 5,9%, ante 5,8% a 6,1% antes.

Os estímulos nos EUA. Estes mais de cinco anos de afrouxamento monetário e juro (quase) zero nos Estados Unidos tiveram três fases. Até dezembro de 2013, cerca de US$ 3,8 trilhões foram injetados nos mercados. A primeira fase começou em novembro de 2008. Despejou US$ 1,7 trilhão na economia em dois anos na compra de "investimentos podres" e títulos do Tesouro americano.

De novembro de 2010 a setembro de 2011, a segunda fase aumentou em US$ 600 bilhões a liquidez mundial. Na sequência, começou uma operação de troca de títulos de até três anos por papéis de 6 e 30 anos. O plano foi até junho de 2012 e alcançou volume acima de US$ 400 bilhões.

A terceira fase vigora desde setembro de 2012. Primeiro, instituiu recompras de ativos de US$ 40 bilhões mensais e, depois, subiu a dose para US$ 85 bilhões, que foi gradualmente reduzida até os US$ 55 bilhões anunciados nesta quarta-feira. (Com Gustavo Ferreira, de O Estado de S. Paulo)

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