BC eleva estimativa de déficit externo para 2011

Tanto neste ano quanto no próximo, o déficit em conta corrente não poderá ser coberto exclusivamente com investimentos estrangeiros diretos

Reuters,

21 de dezembro de 2010 | 14h26

O país acumulou até novembro um déficit em transações correntes mais de duas vezes superior ao do mesmo período do ano passado, em um reflexo da explosão da demanda doméstica por bens e serviços importados, e o Banco Central elevou seu prognóstico para o rombo em 2011.

Tanto neste ano quanto no próximo, o déficit em conta corrente não poderá ser coberto exclusivamente com investimentos estrangeiros diretos, apesar da aceleração desses fluxos verificada nos últimos meses.

Os investimentos de estrangeiros em portfólio, contudo, superarão com folga a necessidade, tendo batido recorde este ano, sob o impacto da operação de capitalização da Petrobras, mostraram números divulgados pelo Banco Central nesta terça-feira.

Em novembro, o déficit em conta corrente foi de US$ 4,696 bilhões, o pior resultado para o mês da série do BC, iniciada em 1947. O dado veio em linha com o esperado pelo mercado e se compara com um saldo negativo de US$ 3,273 bilhões em igual mês do ano passado.

No ano, o déficit em conta corrente soma US$ 43,5 bilhões, contra US$ 18,4 bilhões no mesmo período de 2009.                                 

"As despesas continuam crecendo em linha com o crecimento da renda, em linha com a inclusão de novos agentes...e com o comportamento do câmbio também", afirmou o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, a jornalistas.                                 

O BC estima que o déficit fechará o ano em US$ 49 bilhões, mais que o dobro do déficit de US$ 24 bilhões registrado em 2009. Para 2011, a estimativa foi elevada para um déficit de US$ 64 bilhões, ante projeção anterior de US$  60 bilhões divulgada em setembro. Apesar da alta, Lopes destacou a "acomodação bastante razoável" do déficit no ano que vem, com a desaceleração do crescimento de gastos previstos em itens como viagens e aluguel de equipamentos e também uma redução das remessas de lucros e dividendos.

Investimento recorde

As aplicações de estrangeiros em portfólio baterão recorde histórico em 2010, sob o impacto da operação de capitalização da Petrobras, apesar de uma retração nas aplicações esperadas na renda fixa por conta do aumento da taxação de etrangeiros.                                

Até novembro, as aplicações em portfólio somam US$ 50,4 bilhões, e o BC prevê que elas chegarão ao final do ano em US$ 51,3 bilhões.                                

Do total de 2010, US$ 13,6 bilhões referem-se a aplicações estimadas em renda fixa. O BC reduziu sua estimativa para o investimento, que até então estava em 16 bilhões de dólares, por conta da elevação do IOF cobrado sobre os investimentos estrangeiros em renda fixa, de 2% para 6%.                                

Para 2011, contudo, a autoridade monetária prevê que os investimentos em títulos públicos seguirão em alta, atingindo US$ 15 bilhões, com aumento dos investimentos de médio e longo prazo, que são menos afetados pela taxação.                                

Já os investimentos estrangeiros diretos somaram US$ 33,136 bilhões, e o BC elevou sua projeção para o fluxo no ano de US$ 30 bilhões para US$ 38 bilhões, e Lopes destacou que a marca pode ser superada.                                

"Estamos de fato observando ingressos expressivos de investimento estrangeiro direto ao longo desse segundo semestre. Exatamente por isso é que, ao mencionar os US$ 38 bilhões de projeção para 2010, eu já ouso dizer que esse número será superado."                                

(Por Isabel Versiani e Ana Nicolaci da Costa)

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