BC eleva estimativa de dívida líquida/PIB para 39% em 2011

Em valores nominais, a dívida líquida atingiu no mês passado R$ 1,532 trilhão

Fabio Graner e Renata Veríssimo, da Agência Estado,

30 de junho de 2011 | 10h44

O diretor do Departamento Econômico do Banco Central, Túlio Maciel, informou nesta quinta-feira, 30, que a dívida líquida do setor público deve encerrar junho correspondendo a 39,7% do PIB. Em abril e maio, ficou em 39,8% do PIB. Segundo ele, a previsão do BC de uma queda nesta relação já em maio não ocorreu por causa da taxa de câmbio no final de período, que ficou abaixo do projetado pela autoridade monetária.

Para 2011, o BC elevou a estimativa de dívida líquida/PIB de 38% para 39%. "O câmbio é o principal determinante", justificou Maciel. Segundo ele, o BC trabalhava com uma previsão de R$ 1,70 por dólar, mas foi revista para R$ 1,60 por dólar.

Maciel estimou que a dívida bruta deve subir de 55,7% do PIB em maio para 56% em junho, também em função da taxa de câmbio. O BC usou uma previsão de R$ 1,571 por dólar para junho. Para 2011, no entanto, o Banco Central revisou a projeção de dívida bruta de 55,5% para 55% do PIB.

Maio

A relação entre a dívida líquida do setor público e o Produto Interno Bruto (PIB) ficou estável em maio ante abril, em 39,8%, segundo dados divulgados há pouco pelo Banco Central. Em valores nominais, a dívida líquida atingiu no mês passado R$ 1,532 trilhão ante R$ 1,519 trilhão no mês anterior.

A dívida bruta do governo geral (governo federal, Estados e municípios, excluindo as empresas estatais e o Banco Central) caiu de 56% do PIB em abril para 55,7% do PIB em maio. Em valores nominais, no entanto, a dívida bruta aumentou de R$ 2,135 trilhões para R$ 2,147 trilhões, no mesmo período. 

'Normalidade fiscal'

Maciel avaliou que o resultado do superávit primário do setor público consolidado mostra o "retorno da normalidade fiscal" em relação aos anos anteriores. "Quando comparado o resultado de maio com maio de 2010, fica evidente a convergência para uma situação de normalidade na área fiscal. Estamos em trajetória de pleno cumprimento da meta", afirmou Maciel.

Segundo ele, o resultado foi influenciado pelo ritmo da atividade econômica que se traduz em maior arrecadação. Do lado das despesas, o diretor acredita que o crescimento é moderado, abaixo da expansão nominal do PIB. Ele destacou a participação dos governos regionais (Estados e Municípios) que, ao fazerem R$ 19,046 bilhões em superávit primário no acumulado de janeiro a maio, registraram o melhor resultado para o período da série histórica do BC, iniciada em 2001.

Maciel disse que o bom resultado de Estados e Municípios é explicado pelo aumento das transferências da União e pelo crescimento na arrecadação de ICMS. No ano passado, o governo não conseguiu cumprir a meta de superávit primário do setor público porque os governos regionais não atingiram o valor esperado.

(Texto atualizado às 12h59)

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.