BC eleva projeção do IPCA em 2011 para 5%

Para os 12 meses encerrados no último trimestre de 2010, a expectativa subiu de 5% para 5,9%

Fernando Nakagawa e Fabio Graner, da Agência Estado,

22 de dezembro de 2010 | 08h40

A previsão oficial do Banco Central para o IPCA em 2011 subiu no Relatório Trimestral de Inflação divulgado há pouco. A estimativa central no cenário de referência subiu de 4,6% para 5%. Para a inflação no ano de 2012, o BC divulgou nesta quarta-feira a primeira estimativa que está em 4,8%.

As estimativas foram construídas pelo BC no cenário de referência que prevê manutenção da taxa de câmbio constante em R$ 1,70 e a taxa Selic e 10,75% ao ano. No relatório anterior de setembro, as estimativas haviam sido construídas com câmbio de R$1,75 e juro de 10,75%. 

Cresceu a chance de a inflação superar o intervalo de tolerância previsto pelo sistema de metas, que prevê centro da meta de 4,5% com teto de 6,5% ao ano. O relatório afirma que a chance de a inflação ultrapassar o limite superior do intervalo de tolerância da meta em 2011 encontra-se em torno de 13% no cenário de referência. No documento anterior em setembro, a possibilidade era de 10%.

No cenário de mercado, a chance de IPCA acima de 6,5% em 2011 também está em torno de 13%. Três meses atrás, a possibilidade era de 12%. 

As previsões já levam em conta as recentes medidas de contenção do crédito. De acordo com o documento, "cabe informar ainda que, no conjunto das projeções, foram incorporados os efeitos estimados dos recolhimentos compulsórios recentemente anunciados".

Em relação à política fiscal, as projeções apresentadas pressupõem o cumprimento da meta para o superávit primário de 3,1% do PIB em 2010 com possibilidade de abatimento de até 0,90 ponto porcentual por projetos vinculados do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC). Para 2011, admite-se que o superávit primário retornaria, sem ajustes, ao patamar de 3% do PIB e a 3,1% em 2012.

Cenário de mercado

Subiu a previsão do Banco Central para a inflação que leva em conta as previsões dos analistas para uma série de indicadores, no chamado cenário de mercado. Para 2011, o IPCA avançou de 4,6% para 4,8%. Para 2012, foi construída pela primeira vez a estimativa para o índice, de exatos 4,5%. Nesse cenário, o BC constrói as estimativas de aumento de preço conforme as estimativas para o dólar e juro no horizonte das previsões. O câmbio esperado para o fim de 2011, por exemplo, é de R$ 1,75 e para o fim de 2012, de R$ 1,80.

Por trimestre, a previsão para o IPCA nos 12 meses encerrados no último trimestre de 2010 subiu de 5% para 5,9%. Para o primeiro trimestre de 2011, o número avançou de 4,5% para 5,7%. Para o período seguinte, a estimativa avançou de 4,4% para iguais 5,7%. Para o terceiro trimestre de 2011, a previsão subiu de 4,7% para 5,8%. Já para os trimestres em 2012, na estimativa para primeiro, o IPCA caiu de 4,6% para 4,4%. Para o segundo trimestre, o número recuou de 4,3% para 4,1%. Para o terceiro, houve leve ajuste de 4,3% para 4,4%.

Inflação acumulada

Apesar de reduzir as projeções de inflação em 12 meses no primeiro e do segundo trimestres de 2012, o Banco Central elevou o acumulado no terceiro trimestre do mesmo ano. De acordo com o Relatório de Inflação, a estimativa para a inflação em 12 meses no terceiro trimestre de 2012, subiu de 4,4% para 4,6%. Já o IPCA acumulado em 12 meses no primeiro trimestre caiu de 4,7% para 4,5% e, para o segundo trimestre, o número recuou de 4,4% para 4,3%.

No cenário de referência, as previsões do Banco Central para o IPCA nos próximos trimestres também subiram expressivamente. Para os 12 meses encerrados no último trimestre de 2010, a expectativa subiu de 5% para 5,9%. Para o primeiro trimestre de 2011, o número avançou de 4,4% para 5,7%. Para o período seguinte, a estimativa anterior, que também era de 4,4% foi elevada para iguais 5,7%. Para o terceiro trimestre de 2011, a previsão subiu de 4,7% para 5,8%.

As estimativas foram construídas pelo BC no cenário de referência que prevê manutenção da taxa de câmbio constante em R$ 1,70 e a taxa Selic e 10,75% ao ano. No relatório anterior de setembro, as estimativas haviam sido construídas com câmbio de R$1,75 e juro de 10,75%.

PIB

O Banco Central projeta crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 4,5% no primeiro ano do governo de Dilma Rousseff. No documento, a estimativa para o crescimento da economia em 2010 manteve-se em 7,3%, exatamente como estimado na edição de setembro do Relatório.

O BC explica que parte do forte crescimento de 2010 é reflexo, ainda, do "efeito do carregamento estatístico decorrente das taxas de crescimento verificadas no segundo semestre de 2009". Sobre a taxa mais fraca em 2011, o "Comitê avalia que a economia tem se deslocado para uma trajetória mais condizente com o equilíbrio de longo prazo". 

Indústria

O Banco Central afirma no relatório de inflação que o processo de acomodação da atividade industrial não teve correspondência no comércio, cujo crescimento na margem foi considerado "significativo". Segundo o BC, o dinamismo do comércio se reflete, por exemplo, na importação de bens de consumo não duráveis.

"Para os próximos trimestres, o comércio deve continuar a ser beneficiado pelo crescimento da massa salarial real, pela expansão do crédito e pela confiança dos consumidores", diz o BC. Ao avaliar a produção industrial, o BC registra que houve "certa acomodação da atividade" desse setor no passado recente.

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