BC europeu deve impor teto para rendimento de bônus da zona do euro

George Soros e Peter Bofinger afirmam que medida evitaria uma fuga ainda maior dos títulos da região

Gustavo Nicoletta, da Agência Estado,

21 de novembro de 2011 | 15h11

O Banco Central Europeu (BCE) deve estabelecer um teto para o yield dos títulos soberanos da zona do euro, de forma a interromper a atual "fuga" dos investidores em relação aos bônus de alguns países do bloco monetário, afirmaram num artigo o investidor George Soros e o conselheiro do governo alemão Peter Bofinger.

"Estamos observando uma fuga dos bônus: uma crise autorrealizável de confiança" que coloca em risco a estabilidade da moeda europeia, disseram Bofinger e Soros no texto, que foi publicado no jornal Financial Times. Para interromper esse movimento, o BCE precisa "impor um teto" ao yield dos bônus soberanos "emitidos por governos que seguem políticas fiscais responsáveis e não estão sujeitos a programas de ajuste", acrescentaram.

O teto poderia ser fixado inicialmente em 5% e diminuído conforme as condições permitissem. Para que o limite fosse respeitado, o BCE deve estar disposto a "comprar quantias ilimitadas" de títulos da dívida soberana da zona do euro.

De acordo com Soros e Bofinger, os bônus soberanos da Itália e da Espanha "seriam atraentes para investidores de longo prazo diante do atual contexto deflacionário" se oferecessem yield de 4% "contanto que o risco excessivo fosse removido com a imposição de um teto de 5%".

O BCE não teria efetivamente de comprar quantias ilimitadas de bônus porque a simples promessa de fazer essas aquisições "transformaria o teto para os juros num piso" para os preços desses papéis. Soros e Bofinger, no entanto, advertem que a imposição de limites para os yields dos títulos soberanos europeus deve ser uma "medida emergencial", visto que poderia estimular a indisciplina fiscal com o tempo.

Para resolver a crise no longo prazo, o BCE deve atuar como credor de última instância dos governos e bancos, garantindo liquidez praticamente ilimitada. Os riscos de solvência que ameaçassem a instituição deveriam ser cobertos pelo fundo de resgate da zona do euro. Outra alternativa seria distribuir a responsabilidade pelas dívidas dos países europeus entre os membros do bloco.

As informações são da Dow Jones.

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