BC europeu não pode financiar déficits de governos, diz diretor

Membro do conselho da autoridade monetária destacou que limitações da instituição contribuem para forçar governos da zona do euro a terem políticas mais diciplinadas

Renato Martins, da Agência Estado,

24 de novembro de 2011 | 18h59

O Banco Central Europeu (BCE) não pode ser um provedor de crédito de último recurso para governos e as propostas para que o seja são motivadas por interesses paroquiais. A afirmação foi feita por José Manuel González Páramo, integrante do Conselho do BCE, durante palestra a estudantes da Universidade de Oxford, no Reino Unido, nesta quinta-feira, 24.

"Os participantes do mercado que pedem que o BCE desempenhe esse papel podem estar se importando apenas com o valor nominal de seus ativos e a necessidade de evitar perdas. Se nossa moeda, como reserva de valor, foi depreciada parece não ser importante para eles", afirmou González Páramo. Ele destacou que as limitações legais em vigor para a atividade do BCE contribuem, indiretamente, para forçar os governos dos países da zona do euro a terem políticas mais disciplinadas.

O diretor do BCE também disse que os mercados fracassaram em ser disciplinados em países que haviam incorrido em déficits excessivos no passado, apenas para reagir exageradamente, ao exigir mudanças demais, rapidamente demais, quando a crise de crédito da zona do euro estourou. As expectativas subsequentes do mercado minaram qualquer chance de que reformas necessárias fossem implementadas, acrescentou.

"Políticos não têm tempo para explicar a necessidade de reformas para seus eleitores, e para construir um consenso por trás delas. Pode até ser que os países precisem ir longe demais, rapidamente demais, para restaurar a confiança dos mercados", disse González Páramo.

Para ele, a crise atual demonstrou que "uma postura muito mais abrangente para a governança econômica agora é prioridade para a área do euro. Isso significa mais integração econômica e financeira para a área do euro, com uma transferência significativa de soberania para a União Europeia quanto às políticas fiscal, estrutural e financeira".

As informações são da Dow Jones.

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