BC inglês prevê desaceleração modesta da economia

O presidente do Banco da Inglaterra (BoE, banco central do país), Mervyn King, previu que a economia britânica deve desacelerar no longo prazo, de modo relativamente modesto e concentrado nos setores financeiro e imobiliário, os dois mais afetados pelas condições mais rígidas de crédito.

CAROLINA RUHMAN,

13 de fevereiro de 2008 | 11h16

O presidente do Banco da Inglaterra (BoE, banco central do país), Mervyn King, previu que a economia britânica deve desacelerar no longo prazo, de modo relativamente modesto e concentrado nos setores financeiro e imobiliário, os dois mais afetados pelas condições mais rígidas de crédito. King disse, porém, que uma contração econômica por dois trimestres consecutivos - a definição clássica de uma recessão - não está longe da previsão central do BoE.

As declarações de King foram feitas durante entrevista à imprensa concedida após a divulgação do relatório trimestral sobre a inflação. O BoE afirmou no relatório que os riscos para o crescimento econômico continuam pendendo para baixo, enquanto os riscos para a inflação estão "equilibrados" e prevê desaceleração da economia e retomada da inflação.

O presidente do BC inglês afirmou que os consumidores e as empresas precisam ter uma visão equilibrada da economia britânica e não podem ser influenciados pelo pessimismo vindo dos setores financeiro e imobiliário, os dois setores que devem concentrar a esperada desaceleração da economia, conforme as previsões do BoE.

"É muito impressionante que assim que você sai de Londres e da City, o clima é realmente diferente", declarou King. "Certamente não é a mensagem de pessimismo que você recebe das pessoas que não estão relacionadas aos setores de serviços financeiros e imobiliário."

King avaliou que a desaceleração do crédito é "algo bom", mas ressaltou que o banco central poderá ajustar sua taxa de juros se o desaquecimento econômico se tornar muito grave. Ele disse que o problema-chave que afeta os mercados globais de crédito não é mais a falta de liquidez, mas as preocupações com as posições de capital dos bancos, que provocaram grandes perdas em seus investimentos lastreados em hipotecas subprime (de alto risco) dos EUA.

O presidente do BoE aproveitou para pedir aos bancos para informar totalmente sobre as perdas e se recapitalizar rapidamente. "Eles precisam ser claros sobre a extensão de suas perdas e não esperar muito para restaurar suas posições de capital", afirmou. As informações são da Dow Jones.

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