BC muda metodologia de cálculo e endividamento familiar fica em 21,1%

Segundo diretor da instituição, as mudanças foram feitas para alinhar o cálculo feito pelo brasil com o de outros países

Célia Froufe e Fernando Nakagawa, da Agência Estado,

20 de setembro de 2011 | 18h35

O Banco Central mudou a metodologia de cálculo do endividamento e do comprometimento de renda das famílias com dívidas no sistema financeiro nacional. Com isso, a taxa em julho, que seria de 26,9%, passa agora a ser de 21,1%. Economistas ressaltam que a aproximação do endividamento ao patamar de 30% começa a ser preocupante, mas, com a mudança, o Brasil se distancia mais desse nível. "Não é patamar assustador, mas a tendência continua crescente e, por isso, precisa ser observado", avaliou o diretor de fiscalização do BC, Anthero Meirelles.

A mudança feita pelo BC vem em um momento em que o consumo interno colabora para que o Brasil seja menos afetado pelos impactos da crise financeira internacional. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o consumo das famílias avançou 5,7% no primeiro semestre em relação aos primeiros seis meses do ano passado. As alterações foram feitas, de acordo com o diretor de fiscalização do BC, para alinhar a metodologia à de outros países. "O padrão está próximo aos internacionais, mas precisa ser acompanhado de perto", considerou Meirelles.

Entre as mudanças de metodologia está a utilização da tabela SAC na dívida de imóveis no lugar da Price. Enquanto a amortização da SAC é constante, na Price, os abatimentos são reduzidos ao longo do tempo. Outra alteração foi o cálculo do montante devido com base no juro praticado no último ano e não mais a incidência em um só mês. A terceira modificação diz respeito ao crédito rotativo. No caso de cartões de crédito, o abatimento será distribuído ao longo de seis meses e meio por conta da obrigatoriedade, desde junho, do pagamento mínimo da fatura de 15%. Com isso, o saldo estará quite em, no máximo, seis meses e meio. Em relação ao cheque especial, a distribuição passa a ser feita em 19 meses porque é o prazo médio brasileiro de quitação dessa dívida.

A quarta mudança diz respeito à massa salarial ampliada disponível. Até agora, o BC usava apenas como critério as rendas das famílias, mas passará a incorporar também os rendimentos financeiros. Além disso, no lugar de se usar o valor médio dos últimos 12 meses, agora se usa o do mês em questão, mas dessazonalizado.

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