BC muda referência para o câmbio e diz que alta do juro vai segurar inflação

Na ata do Copom, divulgada hoje, o Banco Central indica que vai continuar ajuste da política monetária; cotação do dólar usada como referência passou de R$ 2,05 para R$ 2,25

Célia Froufe e Eduardo Cucolo, Agência Estado

18 de julho de 2013 | 09h28

BRASÍLIA - O Comitê de Política Monetária (Copom) elevou pela primeira vez, de forma significativa, a taxa de câmbio usada como referência para suas decisões. Conforme a ata do Copom, divulgada nesta quinta-feira, 18, pelo Banco Central, a cotação usada passou de R$ 2,05 para R$ 2,25.

O Broadcast vinha alertando que, desde dezembro do ano passado, o dólar utilizado pelo Banco Central em seus documentos estava sempre abaixo da cotação vista nas datas de fechamento dos documentos de comunicação com o mercado.

 

 

 

Na ata, o Banco Central avalia que a depreciação e a volatilidade da taxa de câmbio, verificadas nos últimos trimestres, levam a uma "natural e esperada correção de preços relativos". A ata também disse que esses movimentos nos mercados domésticos de divisas, em certa medida, refletem perspectivas de transição dos mercados financeiros internacionais na direção da normalidade, entre outras dimensões, em termos de liquidez e de taxas de juros. Para o Copom, a citada depreciação cambial constitui fonte de pressão inflacionária em prazos mais curtos, mas que podem e devem ser limitados pela adequada condução da política monetária.

A ata de hoje ressalta também que a Selic considerada no cenário de referência da autoridade monetária, que é aquele que vislumbra os indicadores de forma constante, passou de 7,50% ao ano para 8,00% ao ano. A ata foi escrita logo após a decisão de aumentar a taxa básica de juros de 8,00% ao ano para 8,50% na última reunião.

Inflação em declínio

A decisão de aumentar a taxa básica de juros de 8,00% ao ano para 8,50% na última reunião do Copom vai contribuir para colocar a inflação em declínio e assegurar que essa tendência persista no próximo ano. "O Copom entende ser apropriada a continuidade do ritmo de ajuste das condições monetárias ora em curso", salientou o documento.

O Copom destacou na ata divulgada hoje que, em momentos como o atual, a política monetária deve se manter especialmente vigilante. Essa atuação é necessária, de acordo com o colegiado, para que se possa minimizar os riscos de que níveis elevados de inflação como o observado nos últimos doze meses persistam no horizonte relevante para a política monetária.

Na ata divulgada hoje não consta mais a avaliação feita no parágrafo 33 do documento anterior de que, no curto prazo, a inflação de 12 meses ainda apresenta tendência de elevação e que o balanço de riscos para o cenário prospectivo se apresenta desfavorável.

A ata lembra que a decisão foi unânime, tendo sido votada pelo presidente Alexandre Tombini, e pelos diretores Aldo Luiz Mendes, Altamir Lopes, Anthero de Moraes Meirelles, Carlos Hamilton Vasconcelos Araújo, Luiz Awazu Pereira da Silva, Luiz Edson Feltrim e Sidnei Corrêa Marques.

Dispersão

O Copom ponderou na ata divulgada na manhã de hoje que o nível elevado de inflação e a dispersão de aumentos de preços contribuem para que a inflação mostre resistência. "Nesse contexto, inserem-se também os mecanismos formais e informais de indexação e a piora na percepção dos agentes econômicos sobre a própria dinâmica da inflação", trouxe o documento.

A persistência desse processo, de acordo com a ata, causaria danos à tomada de decisões sobre consumo e investimentos. "Na visão do Comitê, faz-se necessário que, com a devida tempestividade, o mesmo seja revertido." 

Superávit

Pela primeira vez a ata do Copom retira os valores nominais citados até então para o superávit primário de 2013 e 2014. Até o documento anterior, o colegiado trabalhava com a hipótese de trabalho de superávit de R$ 155,9 bilhões em 2013 e de R$ 167,4 bilhões em 2014. Para este ano, citava os parâmetros da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e, para 2014, do Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO).

Agora, o BC considera como indicador fiscal o "superávit primário estrutural", que já havia sido citado pelo diretor de política econômica da autoridade monetária, Carlos Hamilton Araújo, durante entrevista coletiva sobre o Relatório Trimestral de Inflação (RTI) de junho. De acordo com a ata de hoje, esse superávit estrutural se deriva das trajetórias de superávit primário para 2013, conforme parâmetros da LDO e, para 2014, conforme os parâmetros PLDO. O tema foi abordado de forma intensa em um box produzido pelo colegiado e divulgado junto com o RTI de junho.

Havia a expectativa no mercado de que o BC pudesse passar a usar, já neste documento, a perspectiva de geração de superávit primário de 2,3% do Produto Interno Bruto (PIB), como propagou o Ministério da Fazenda. O porcentual só foi usado até agora pela autoridade monetária como uma possibilidade, em três hipóteses de trabalho, pelo chefe do departamento econômico do BC, Túlio Maciel, durante simulações a respeito do comportamento da dívida até o final do ano.

IPCA de 2014

No cenário de referência, que leva em consideração a manutenção do comportamento das variáveis, a projeção para a inflação em 2014 aumentou em relação ao valor considerado na reunião do Copom de maio. Dessa forma, a taxa prevista pelo colegiado segue acima do centro da meta de 4,5% para o próximo ano.

O documento revela também que, nos demais casos, houve estabilidade das projeções em relação à ata divulgada em junho, depois da reunião de maio. Para 2014, houve estabilidade da estimativa para o IPCA no cenário de mercado, que leva em conta as trajetórias de câmbio e de juros coletadas com analistas de mercado, nas vésperas da reunião do Copom. Assim, a taxa também segue acima do centro da meta.

A projeção para a inflação de 2013 também não se alterou ante maio, segundo a ata, e, portanto, permanece acima da meta de 4,5% fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

No cenário de mercado também deste ano, a projeção de inflação para 2013 manteve-se estável em relação ao valor considerado na reunião de maio e segue também maior do que o centro da meta.

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