BC reconhece cenário de inflação desafiador, dizem economistas

Segundo equipe da LCA Consultores, relatório divulgado nesta quarta mostrou riscos que poderiam abrir possibilidade de outro aumento da Selic em agosto

Flavio Leonel, da Agência Estado,

29 de junho de 2011 | 14h45

O Relatório Trimestral de Inflação (RTI) de junho, divulgado nesta quarta-feira, 29, pelo Banco Central, trouxe uma postura mais dura da autoridade monetária em relação ao conteúdo do documento de março e o reconhecimento de um panorama de inflação desafiador. A avaliação é da equipe de economistas da LCA Consultores, que, em análise distribuída à imprensa, destacou que o RTI deste mês trouxe um cenário com riscos persistentes à inflação que poderiam abrir a possibilidade de um outro aumento da Selic em agosto, além do já esperado pela maioria do mercado para a reunião de julho do Comitê de Política Monetária (Copom).

"O último RTI transmitiu uma mensagem hawkish em relação à edição de março e deixou claro que o BC reconhece um cenário desafiador para o controle da inflação", escreveram os economistas da LCA, lembrando que, no documento, o BC insiste que o efeito das medidas macroprudenciais ainda não se processou integralmente e conta com isto para a convergência do IPCA à meta de inflação em 2012. "É forçoso reconhecer que a probabilidade de novo aumento da Selic em agosto aumentou marginalmente, ainda que não seja predominante", avaliaram.

Para a equipe da LCA Consultores, apesar de o BC ter diagnosticado na página 81 do RTI que o "o balanço de riscos mostra sinais mais favoráveis para o cenário prospectivo" predominaram comentários mais duros sobre os componentes domésticos de tal cenário, como a dinâmica das expectativas de inflação e o mercado de trabalho ainda aquecido no Brasil. "De fato, como foi inclusive anotado na ata da última reunião do Copom, o cenário melhorou na margem até junho, mas piorou desde março", destacaram.

Na avaliação dos economistas da LCA, o BC é enfático ao reconhecer também que o maior risco atualmente é a transmissão das pressões inflacionárias dos últimos meses ao futuro, em um ambiente de estreita ociosidade dos fatores, principalmente do mercado de trabalho. "A combinação de inflação alta com certa concentração de negociações salariais no segundo semestre potencializa esta ameaça à convergência", alertaram. "Os sinais de moderação do mercado de trabalho ainda são muito incipientes e a acomodação do rendimento médio real é devida, em boa medida, ao próprio aumento da inflação", lembraram.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.