BC rejeita uso de moeda estrangeira em transações comerciais

Segundo diretor de política monetária do BC, Aldo Mendes, a tendência é de que o real valorizado passe a ser aceito em mais países

31 de maio de 2011 | 18h55

A descriminalização do uso de moeda estrangeira em transações comerciais no País, mesmo que para pequenas operações, duplicaria o trabalho do Banco Central e traria mais custos para autoridade monetária. A avaliação é do diretor de política monetária do BC, Aldo Mendes, que citou o exemplo do Peru, onde a dualidade monetária fez com que o dólar praticamente tenha substituído o sol peruano.

"Pessoalmente, eu acredito que (a descriminalização) não seria uma das ideias mais práticas neste momento, até porque retira um grau de controle monetário, porque você não emite essa moeda", avaliou Mendes em seminário na sede do BC sobre câmbio manual e transferências de pequenos valores. Segundo ele, a situação peruana ocorre porque "a moeda boa expulsa a ruim". No Brasil, avaliou, esse processo ocorreu durante a implantação do real, que tomou o lugar dos cruzeiros reais, mas sem a necessidade de uma migração para o dólar.

Em vez da adoção do dólar no País, acrescentou Mendes, a tendência é de que o real valorizado passe a ser aceito em mais países. "No médio prazo, o real vai seguir o passo do peso mexicano e será aceito no mundo inteiro. Só hoje o real se valorizou 1% frente ao dólar, e isso continuará acontecendo", completou. (Eduardo Rodrigues)

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