BC revela, na ata do Copom, dúvida sobre rumos da economia internacional

Eventos como a elevação do juro na China e notícias de que o afrouxamento quantitativo nos EUA não deve ser tão forte como se pensava são fatores que agregam incerteza em relação ao futuro

Fabio Graner e Fernando Nakagawa, da Agência Estado,

28 de outubro de 2010 | 12h49

A inclusão da expressão "certo" para o impacto da situação externa sobre a inflação brasileira na ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) revela uma maior dúvida do Banco Central sobre os rumos da economia internacional e o tamanho do seu "viés desinflacionário" sobre o Brasil. Eventos como a recente elevação da taxa de juros na China e informações de que o afrouxamento quantitativo nos Estados Unidos não deve ser tão forte quanto inicialmente se pensava são fatores que agregam incerteza em relação ao futuro.

De qualquer forma, o Banco Central claramente acredita que o Brasil está importando uma inflação menor por conta da baixa atividade econômica internacional, o que tem ajudado a autoridade monetária no controle dos preços. Esse impacto é percebido na alta dos preços de bens comercializáveis - produtos que podem ser importados, que em 12 meses está abaixo de 4%, enquanto os não comercializáveis - como os serviços - têm rodado acima de 5% na mesma comparação.

Outro ponto destacado pela ata é sobre o mercado de trabalho. O BC explica que há um processo de acomodação no ritmo de contratações, mas, curiosamente, menciona que esse processo não inclui o setor público. Os dados da Pesquisa Mensal de Emprego (PME) indicam que a administração pública tem mantido o ritmo de contratações, o que ajuda a sustentar a demanda e causa impacto fiscal.

Aliás, a questão fiscal foi novamente mencionada pelo BC no documento, mostrando que todo o cenário de trabalho da autoridade monetária é traçado considerando um esforço fiscal extra de 1% do Produto Interno Bruto (PIB) no ano que vem, com a retomada da meta cheia de 3,3% do PIB. Para o BC, essa economia adicional representa uma contribuição significativa para conter a inflação - o ex-diretor do BC Mário Mesquita já mencionou cálculos internacionais mostrando que um aumento de 1 ponto porcentual nos gastos públicos leva em geral a um aumento de 1% na inflação.

A ata do Copom reforça ainda o cenário do BC de retomada da atividade econômica depois de dois trimestres de relativa estagnação da economia. Por enquanto, a autoridade monetária acredita que essa retomada se dará em níveis que são sustentáveis. O BC não se compromete com um determinado nível de PIB potencial (que revela quanto o País pode crescer sem gerar inflação), mas as indicações são de que a instituição não trabalha com um número muito além de 4,5%. 

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