BCE reforça oposição a mudanças na dívida da Grécia

Autoridades do Banco Central Europeu disseram hoje rejeitar a opção de uma reestruturação branda para o país, a qual foi considerada pelo presidente do Eurogrupo

Cynthia Decloedt, da Agência Estado,

18 de maio de 2011 | 10h35

SÃO PAULO - Autoridades do Banco Central Europeu (BCE) voltaram a mostrar forte oposição à qualquer tipo de reestruturação da dívida da Grécia, em resposta as declarações feitas nos últimos dias pelo presidente do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker, de que uma reestruturação branda poderia ser considerada. O comissário europeu para Assuntos Econômicos e Monetários, Olli Rehn, lançou ontem a ideia de uma extensão voluntária dos prazos pelos credores privados, como parte de um reescalonamento dos vencimentos.

"Rejeito a opção de uma reestruturação branda para a Grécia" ou ampliação dos vencimentos da dívida do país, porque o efeito de tal decisão não é claro, afirmou o membro do conselho executivo do BCE Lorenzo Bini Smaghi em evento em Milão. "Não sei o que isso significa e temos de ser muito cuidadosos ao emitir sinais aos mercados financeiros", acrescentou.

Smaghi enfatizou que uma reestruturação da dívida da Grécia teria consequências terríveis para o sistema bancário grego. "Pode haver um impacto negativo aos bancos do país, porque precisarão fortalecer ainda mais seu capital sem acesso fácil aos mercados de dinheiro", observou.

Smaghi pediu ao governo grego que acelere os esforços para evitar a evasão de impostos. "O governo tem de dizer às pessoas que paguem seus impostos".

Outros membros do BCE, como Ewald Nowotny, do conselho de governadores, Vitor Constancio, vice-presidente do BCE, e Juergen Stark, do conselho executivo, reiteraram hoje a postura contrária do banco à reestruturação da dívida grega. Não há um plano para nova ajuda à Grécia e uma reestruturação ou reescalonamento da dívida grega "definitivamente não é um elemento de discussão" no BCE, disse Nowotny.

Constancio disse que uma reestruturação de dívida tem enormes consequências para um país e muito pior em economias avançadas. Segundo ele, esta deveria ser a última opção. Constâncio acrescentou que o BCE, a União Europeia e o FMI acreditam que a Grécia tem ajustes a serem cumpridos que podem evitar o pior.

A mesma opinião foi dada em Atenas por Stark, segundo o qual não há necessidade de uma reestruturação da dívida da Grécia se o país aderir a seu programa de reformas econômicas e fiscais. "É uma ilusão pensar que a reestruturação da dívida, um corte na dívida ou qualquer tipo de reescalonamento ou reestruturação que se tenha em mente ajudará a resolver os problemas que o país enfrenta", afirmou. "Não há outro caminho a não ser dar andamento à consolidação fiscal, e nunca sugeriria que tal esforço fosse duplicado".

Para Stark, qualquer reorganização da dívida da Grécia teria um sério impacto nos bancos do país, prejudicando os esforços do BCE para oferecer-lhes a liquidez necessária. Segundo ele, as especulações recentes do mercado foram lideradas por um pequeno grupo de bancos sediados nos Estados Unidos e no Reino Unido. As informações são da Dow Jones.

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