Berd eleva previsão para expansão de países do Leste Europeu e ex-URSS

Banco agora espera que as 29 economias na qual investe tenham crescimento de 4,2% neste ano

Álvaro Campos, da Agência Estado,

28 de outubro de 2010 | 14h39

A maioria dos países do Leste Europeu e da ex-União Soviética vai crescer mais rapidamente do que o inicialmente estimado neste ano e no próximo, impulsionados pela forte recuperação da Alemanha e pelo aumento nos preços das commodities, segundo o Banco Europeu para Reconstrução e Desenvolvimento (Berd).

O banco agora espera que as 29 economias na qual investe tenham crescimento de 4,2% neste ano e de 4,1% em 2011, acima da previsão feita em julho de expansão de 3,5% em 2010 e de 3,9% no ano que vem. O Berd foi fundado em 1991 para ajudar os países da Europa Oriental e ex-membros da União Soviética a realizarem a transição de um sistema de economia planificada para uma economia de mercado.

Um crescimento mais rápido significa que, após uma pausa em 2009, a maioria dos países da região deve voltar a reduzir a diferença entre a sua renda per capita e a da Europa Ocidental. Entretanto, o Berd afirmou que "o ritmo da convergência vai ser menos espetacular do que o observado no passado".

A área de abrangência do Berd foi mais afetada pela crise financeira de 2008 e pela consequente recessão do que outros mercados emergentes, principalmente porque a região dependia mais fortemente dos empréstimos de bancos estrangeiros. Como resultado, esses países não têm registrado a mesma forte entrada de capital observada em economias da Ásia e da América Latina desde 2009, que inclusive tem feito com que alguns países recorram a controles de capital e intervenções no câmbio recentemente.

Mas existem algumas exceções nesse quadro e o Berd alertou que a entrada de capital na Polônia, Turquia e Ucrânia pode ser rapidamente revertida quando o Banco Central Europeu (BCE) e o Federal Reserve dos EUA começarem e elevar suas taxas básicas de juros.

A Alemanha é o principal destino das exportações dos países da região e o Berd disse que a força da maior economia da Europa foi essencial para a elevação da previsão de crescimento do Leste Europeu. "A Alemanha foi a razão pela qual nós elevamos nossas projeções", disse Erik Berglof, economista-chefe do banco. "A região tem sido salva, em parte, pela força da economia alemã."

Mas deverá haver grandes diferenças no ritmo da crescimento da região. Enquanto oito países da Europa Central e da região do Mar Báltico deverão registrar uma expansão no PIB de 2,2% neste ano e 3,0% em 2011, sete países do sudeste da Europa devem ter uma queda de 0,6% no PIB neste ano e uma expansão de apenas 1,6% no ano que vem.

Mesmo dentro da Europa Central, algumas economia devem ter um desempenho muito melhor do que outras. O Berd elevou sua previsão para crescimento do PIB da Polônia a 3,3% neste ano e 3,5% em 2011, mas reduziu a projeção para o avanço da economia da Hungria a 0,8% em 2010 e 1,7% no ano que vem como reflexo dos receios com o tamanho do déficit orçamentário do país e com o impacto de uma recém introduzida taxa bancária sobre empréstimos.

"A Europa emergente está gradualmente experimentando uma recuperação econômica com base mais ampla, mas a região permanece fortemente dividida entre países que estão se beneficiando da alta nos preços das commodities e da entrada de capital, e outros que devem continuar em recessão ou ter apenas uma frágil recuperação em 2010", comentou o Berd.

O banco acrescentou que o desempenho de alguns países do sudeste da Europa pode até mesmo se enfraquecer caso os problemas fiscais da Grécia piorem. A Grécia tem fortes laços comerciais e de investimentos com muitos países dos Bálcãs e os bancos gregos também têm um papel importante na sub-região. "Os riscos de grandes contágios da crise da Grécia têm sido controlados até agora, mas eles têm potencial para prejudicar a atividade econômica da região se a situação na Grécia se deteriorar mais", disse o banco.

Entretanto, a instituição afirmou agora esperar que a economia da Bulgária cresça 0,4% neste ano. Em julho a previsão era de contração de 1,2%. O Berd comentou ainda que a contração da Romênia será menor do que a esperada, com o PIB do país recuando 2,0% em 2010, em vez dos 3,0% previstos anteriormente.

O Berd manteve sua previsão para a Rússia inalterada, mas disse que a economia da Ucrânia deve crescer 5,0% neste ano e 4,5% no ano que vem. Anteriormente o banco previa um avanço de 4,0% para 2010 e de 4,1% para 2011.

A instituição também elevou sua previsão para a Turquia e agora espera que a economia do país avance 8,0% neste ano e 5,0% no próximo. Em julho, a projeção era de 5,9% e 4,0%, respectivamente. Segundo o Berd, embora a forte entrada de capital tenha ajudado a impulsionar o crescimento da Turquia, ela também gera riscos para o país, que é membro do G-20. "O crescimento da demanda interna originou uma rápida elevação das importações e um avanço do déficit em conta corrente, que está aumentando a vulnerabilidade da economia a uma reversão nos fluxos de capital", comentou o banco.

O Berd afirmou que a Polônia pode enfrentar problemas semelhantes. "É claro que o déficit orçamentário da Polônia é muito significativo e basicamente financiado pela entrada de capital", comentou Berglof. "Existe obviamente uma preocupação de que isso não é sustentável", acrescentou.

O aumento nos preços das commodities deve impulsionar o crescimento nos países da Ásia central, que é rica em recursos naturais, neste ano e em 2011, comentou o Berd. O banco prevê que as economias dos seis países da região terão uma expansão de 6,7% neste ano e de 6,6% no próximo. Em julho, a previsão era de 5,5% e 6,5%. A exceção na tendência será a República do Quirguistão, que, de acordo com o Berd, deve registrar retração de 3,5% neste ano.

As informações são da Dow Jones. 

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