Bernanke indica que EUA ainda manterão estímulos, mas futuro é incerto

Presidente do Fed diz que pode manter o programa intacto, ou até aumentar as compras, se o mercado de trabalho piorar ou se a inflação não voltar a ficar próxima da meta

Stefânia Akel e Lucas Hirata, da Agência Estado,

17 de julho de 2013 | 10h29

WASHINGTON - Com uma linguagem mais clara, o presidente do banco central dos Estados Unidos, Federal Reserve (Fed), Ben Bernanke, afirmou que as compras de US$ 85 bilhões por mês em bônus "não têm de forma alguma uma direção definida" e que o Fed pode manter o programa intacto por mais tempo, ou até aumentar as compras, se o mercado de trabalho piorar ou se a inflação não voltar a ficar próxima da meta de 2% do banco central.

Por outro lado, se a economia tiver uma performance melhor do que a esperada pelo Fed, a instituição pode começar a reduzir as compras de ativos mais rapidamente, disse Bernanke, em discurso preparado para o Comitê de Serviços Financeiros da Câmara dos Representantes. 

Bernanke frisou em seu discurso que o cronograma que ele detalhou após a última reunião de política monetária do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) é "a trajetória provável do programa se a economia evoluir conforme o esperado" e que isso não representa uma mudança na política. Após a última reunião, o dirigente disse que as compras devem começar a ser reduzidas no segundo semestre até serem totalmente interrompidas em meados de 2014.

Ressaltando que as decisões sobre o programa serão atreladas às perspectivas econômicas, Bernanke destacou os riscos à economia que podem levar o Fed a revisar suas expectativas. Segundo ele, os riscos diminuíram, mas a política fiscal do governo ainda é uma ameaça e pode pesar mais que o esperado sobre o crescimento nos próximos trimestres. Ele também alertou que os debates que ocorrerão em breve no Congresso sobre questões orçamentárias e o teto da dívida também podem prejudicar a recuperação.

Bernanke também se focou na inflação, que está bem abaixo da meta de 2% do Fed. "A fraqueza reflete, em parte, alguns fatores que devem ser transitórios", disse ele, acrescentando que as expectativas para a inflação em um prazo mais longo estão "estáveis no geral". Mas as autoridades do Fed "certamente estão cientes de que uma inflação muito baixa representa riscos à performance econômica ao, por exemplo, elevar o custo real de investimentos". Ele prometeu ficar atento a essa situação e frisou que o Fed vai "agir conforme o necessário" para garantir que a inflação, atualmente em cerca de 1%, retorne à meta de 2%.

O dirigente deixou claro que não é somente o mercado de trabalho que vai influenciar os rumos do programa de compras de bônus do Fed. "Se a perspectiva para o emprego se tornar menos favorável, se a inflação não se mover de volta à meta de 2% ou se as condições financeiras - que têm se apertado recentemente - não forem acomodatícias o suficiente para permitir que mantenhamos nossos objetivos, o ritmo atual das compras pode ser mantido por mais tempo", afirmou.

De fato, se necessário, o Fed "está preparado para utilizar todas as suas ferramentas, incluindo um aumento no ritmo das compras por algum tempo, para promover a volta ao máximo emprego em um contexto de estabilidade de preços", ressaltou Bernanke.

Ele repetiu a mensagem das últimas semanas de que mesmo se o Fed reduzir o programa de compra de bônus neste ano, a instituição pretende manter as taxas de juros de curto prazo próximas de zero por algum tempo.

Com a taxa de desemprego ainda alta e caindo "apenas gradualmente", e a inflação abaixo da meta do Fed de 2%, "uma política monetária altamente acomodatícia continuará apropriada no futuro próximo", disse.

Bernanke afirmou que a chamada diretriz futura do Fed - uma declaração de que manterá as taxas de curto prazo próximas de zero "pelo menos enquanto" a taxa de desemprego permanecer acima de 6,5% - deve ser vista como um limite, não um gatilho para que o Fed aumente as taxas de curto prazo.

Em vez disso, quando a taxa de desemprego atingir 6,5%, Bernanke disse que o Fed irá então avaliar se o mercado de trabalho, a inflação e as condições econômicas mais amplas justificam uma elevação das taxas.

Por exemplo, disse Bernanke, se a melhora na taxa de desemprego foi julgada como sendo, amplamente, o resultado de pessoas saindo da força de trabalho por causa de falta de encorajamento, o Fed não deve "ver a queda do desemprego para 6,5% como razão suficiente para elevar a meta para a taxa dos fed funds". O Fed também não deve aumentar as taxas se a inflação se mantiver "persistentemente abaixo" da meta de 2%.

Bernanke também disse que qualquer elevação nas taxas de curto prazo, quando ocorrerem, provavelmente será feita de forma gradual.

O dirigente disse que o Fed irá manter todos os bônus que comprou em seu balanço, ao invés de vendê-los, após o término do programa. Manter os bônus "continuará a colocar pressão sobre as taxas de juros de longo prazo, apoiar os mercados de hipotecas e ajudar a tornar as condições financeiras mais amplas mais acomodatícias".

Separadamente, no relatório de política monetária submetido ao Congresso, o Fed ressaltou que as taxas de juros voláteis e em ascensão podem ter contido alguns comportamentos de tomada de riscos entre os investidores. O banco central tinha advertido que um período estendido de baixas taxas de juros poderia levar alguns investidores a assumir riscos excessivos. Fonte: Dow Jones Newswires.

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