Bernanke vê evolução, mas não revolução, da política monetária após crise

'Orientações avançadas ou outras formas de comunicação sobre políticas podem ser valiosas mesmo quando o limite de zero (para os juros) não for relevante', avalia o presidente do Federal Reserve (Fed)

Agência Estado,

18 de outubro de 2011 | 15h47

O presidente do Federal Reserve dos EUA, Ben Bernanke, afirmou hoje que as lições aprendidas durante a crise financeira sugerem que o banco central terá de rever no futuro, mas não abandonar, a forma como lida com a política monetária. Os comentários constam em um discurso preparado para a conferência econômica do Fed de Boston.

Bernanke afirma que embora o Fed agora tenha uma maior gama de ferramentas para atingir os objetivos da sua política monetária e promover estabilidade financeira, podem também haver períodos quando seus antigos poderes serão necessários para combater desequilíbrios financeiros.

"Meu palpite é que a atual estrutura da política monetária - que sem dúvida tem inovações que melhoraram a habilidade dos bancos centrais de se comunicarem com o público - vai continuar sendo a abordagem padrão" para o Fed, comentou Bernanke. Segundo ele, a busca pela estabilidade de preços, mesmo em meio às ações extraordinárias adotadas pelo banco central norte-americano durante a crise financeira, mostrou os benefícios "comprovados" da estabilização da economia.

Os comentários de Bernanke são feitos em um momento em que o Fed está analisando mudanças no seu regime de política monetária. Nos últimos anos a forma como o banco central atua mudou significativamente, com a instituição cortando a taxa básica de juros para perto de zero e intervindo nos mercados de ativos, aumentando fortemente seu balanço patrimonial. O Fed também prometeu manter os juros perto de zero pelo menos pelos próximos dois anos.

Em seu discurso, Bernanke afirma que "orientações avançadas ou outras formas de comunicação sobre políticas podem ser valiosas mesmo quando o limite de zero (para os juros) não for relevante, e eu espero ver um uso cada vez maior dessas ferramentas no futuro".

Mas ele também afirma que o aumento no tamanho do balanço patrimonial do Fed - atualmente perto de US$ 2,8 trilhões - reflete o fato que os juros de curto prazo não podem mais ser reduzidos. "Em períodos mais normais, quando as políticas de juros de curto prazo não estão sob pressão, eu espero que as políticas para o balanço patrimonial sejam raramente utilizadas".

O presidente destacou a importância cada vez maior da estabilidade financeira nas políticas do Fed. "A distinção entre os objetivos de macroeconomia e estabilidade financeira sempre será meio obscura, devido às poderosas interações entre as condições econômicas e financeiras", disse.

"As diferentes ferramentas de regulação fiscal e supervisão, juntamente com a monitoração adequada do sistema financeiro, deveriam ser, creio eu, a primeira linha de defesa contra a ameaça de instabilidade financeira", comentou ele. "Entretanto, a eficácia de tais políticas, na prática, ainda não foi comprovada. Então a possibilidade de a política monetária ser usada diretamente para dar suporte aos objetivos de estabilidade financeira, pelo menos na margem, não deve ser descartada".

As informações são da Dow Jones. (Álvaro Campos)

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