Bernardo defende atuação do Estado brasileiro durante a crise

Ministro rejeitou interpretações de que o governo tenha interferido demais na economia

Ricardo Gozzi, da Agência Estado,

23 de março de 2010 | 14h58

O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, defendeu nesta terça-feira, 23, a forma como o Estado brasileiro comportou-se diante da mais recente crise financeira internacional e rejeitou interpretações segundo as quais o governo teria interferido demais na economia. "Não existe no Brasil nenhuma espécie de ânsia por fazer tudo através do Estado. O que não podemos é ficar esperando que as pessoas decidam quando vai haver investimento no País", declarou Bernardo durante conferência patrocinada pela Corporação Andina de Fomento (CAF), seu último compromisso em Cancún antes de regressar ao Brasil.

 

"A questão da intervenção do Estado é uma coisa que se fala muito hoje em dia no Brasil e eu gostaria de dizer que não mudamos nossa postura em nada. É preciso ponderar que, depois do que aconteceu em setembro de 2008, de repente olhamos para um lado e quando voltamos pro outro o mercado não estava mais lá", explicou o ministro.

 

Bernardo citou como exemplos o financiamento agrícola e os empréstimos para a habitação. "Por exemplo, o financiamento agrícola no Brasil tinha três fatores. Os bancos estatais financiavam 40% da safra agrícola, os brancos privados financiavam 30% e as grandes tradings internacionais, pela compra antecipada de produtos, financiavam o restante, mais 30%. Com a crise, os bancos privados sumiram, pararam de fazer financiamento agrícola, e, das tradings, nunca mais se ouviu falar. Já tem gente no Brasil acreditando que elas não existem", observou.

 

"A verdade é que nós tivemos de fazer um movimento para garantir financiamento agrícola e os bancos públicos, particularmente o Banco do Brasil, tiveram sua participação aumentada" prosseguiu Bernardo. "Isso também aconteceu na área habitacional. O Brasil, em 2002, viveu um crescimento extraordinário do financiamento imobiliário. Quando bateu a crise, nós redesenhamos a situação, com o programa Minha Casa Minha Vida e conseguimos incrementar novamente o volume de financiamentos imobiliários", afirmou o ministro.

 

"No Brasil, não achamos que o Estado precisa fazer tudo. O que não podemos é ficar à mercê da onda, quando num momento existe a disposição da iniciativa privada de fazer financiamentos e no momento seguinte a disposição é zero", arrematou.

 

Paulo Bernardo esteve em Cancún à frente da delegação brasileira na 51ª Reunião Anual do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Durante o encontro, os governadores do BID concordaram, entre outras coisas, com um aumento de capital da ordem de US$ 70 bilhões e com o perdão da dívida do Haiti com a instituição.

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