Bertin prepara abertura de seu capital para 2010

Frigorífico é o único dos cinco grandes do País que não tem ações negociadas em bolsa

Alexandre Inacio, da Agência Estado,

27 de agosto de 2009 | 15h43

Depois de registrar lucro recorde no segundo trimestre do ano, a Bertin prepara finalmente sua abertura de capital. A data ainda não está fechada, mas o diretor executivo da empresa, Fernando Falco, afirma que no início de 2010 a Bertin fará, finalmente, a oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) esperada desde a entrada do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) no capital da empresa em maio do ano passado. "Sempre é possível fazer, mas em 2009 será muito difícil. Imaginamos a abertura para o início do ano que vem, já que temos alguns processos para estruturar melhor dentro da companhia", afirma Falco.

 

Hoje, a Bertin é o único dos cinco grandes grupos frigoríficos do País que não tem ações negociadas em bolsa. Com seu IPO em 2010 a empresa se junta à BRF, à JBS Friboi, à Marfrig e ao Minerva e reforça a lista de indústrias processadoras de proteína animal com ações na Bovespa. A decisão da Bertin em voltar a falar na abertura de seu capital vem poucas semanas depois de a JBS Friboi ter encaminhado para a Securities and Exchange Commission (SEC) um pedido para a oferta pública de ações nos Estados Unidos.

 

Antes de lançar ações no mercado, no entanto, a Bertin deve fazer pelo menos uma nova captação de recursos, utilizando linhas de médio prazo, com vencimento variando entre três e cinco anos. A estratégia é aproveitar a melhora no mercado financeiro e as propostas que a empresa vem recebendo de instituições financeiras. Segundo Falco, a empresa tem sido consultada recentemente para elaborar operações estruturadas, fato que não acontecia até junho deste ano. "Agora, o mercado está abrindo oportunidades de captação, oferecendo operações estruturadas, o que é importante para nós, porque não é possível manter essa taxa de crescimento sem uma estrutura de capital mais forte", disse.

 

Na prática, antes de abrir capital a Bertin pretende manter seu ritmo de crescimento e vai se capitalizar para conseguir esse objetivo. Entre as linhas de financiamento disponíveis, Falco cita como exemplo debêntures reversíveis em ações, emissão de bonds e também linhas de médio e longo prazos. "Eu não tenho necessidade de dinheiro para investimento, eu tenho necessidade de dinheiro para capital de giro, para crescer e o volume necessário vai depender da taxa de crescimento que for mantida" diz Falco. Ele lembra que o maior problema da empresa é manter o ritmo de crescimento, que está hoje na ordem de 20% a 25%. "Esse é um ritmo muito agressivo", afirma.

 

Foi exatamente a agressividade no crescimento das operações no Brasil que colocou a Bertin como a segunda maior empresa de abate de bovinos do Brasil, atrás apenas da JBS Friboi. O grupo tem uma capacidade para abater 14 mil cabeças por dia, ou seja, é responsável por quase 10% do abate total do País. Para chegar a esse patamar o grau de endividamento da empresa foi considerado muito elevado. Esse endividamento, aliás, teria sido um dos principais motivos pelo qual houve a aproximação da Marfrig para buscar uma fusão, no período da alta do dólar, a partir de setembro do ano passado. O assunto Marfrig, aliás, "saiu da pauta", segundo Falco. Hoje, o endividamento da empresa é estimado num valor pouco acima dos R$ 2 bilhões.

 

Segundo Falco, a relação entre a dívida e o Ebitda está hoje em 3,36. No segundo trimestre do ano, a geração de caixa medida pelo Ebitda da Bertin foi de R$ 192,1 milhões. "Para a abertura de capital esse é um nível bom e que a companhia sempre trabalhou. Estamos dentro do que estabelecemos com nossos interlocutores financeiros e a empresa está numa situação de estabilidade", afirma Falco.

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