Bertone se contradiz ao defender leilões de café, diz Lian

Segundo presidente do Cecafé, secretário disse, ao tomar posse, que montagem de leilões era 'oportunista'

Venilson Ferreira, da Agência Estado,

20 de agosto de 2008 | 18h35

O presidente do Conselho dos Exportadores de Café Verde do Brasil (Cecafé), João Antonio Lian, disse nesta quarta-feira, 20, que o secretário de Produção e Agroenergia do Ministério da Agricultura, Manoel Vicente Bertone, se contradiz quando defende os leilões de Prêmio Equalizador Pago ao Produtor (Pepro) para o café, realizados no ano passado. Lian lembra que ao tomar posse como secretário, no ano passado, Bertone visitou o Cecafé, "quando disse que a montagem dos leilões havia sido oportunista e que na sua gestão não iria se repetir um programa nos mesmos moldes".  Sobre entrevista publicada pelo AE Agronegócios, na qual Bertone rebate as críticas e diz que os exportadores reclamam do Pepro porque o programa "causou uma circunstância comercial que favoreceu às cooperativas", João Antônio Lian afirmou que "eles (as cooperativas) devem estar com dificuldades, em função dos episódios comprovados do ano passado e necessitam dar uma mensagem que está tudo bem. Não encontro outra explicação. É uma pena, porque querem fugir do foco da questão, quando o que nós queremos realmente é a transparência do programa". O representante dos exportadores de café reitera suas críticas sobre os leilões de Pepro, que garantiram aos produtores beneficiados acesso a R$ 200 milhões do Tesouro para sustentação de preços de 5 milhões de sacas. Segundo Lian, o questionamento diz respeito ao fato de o programa ter beneficiado 20 mil produtores cooperativados, quando o universo é de 300 mil cafeicultores em todo Brasil. Eles acham que o cooperativismo representa o cafeicultor, quando na realidade correspondem por 25% apenas da safra brasileira. Ele observa que o universo de 20 mil cafeicultores são de associados ativos e não os efetivamente beneficiados pelo programa. "A opinião pública que saber quanto recebeu cada um dos 20 mil cafeicultores. "Nós comprovamos que apenas um cafeicultor recebeu 10 mil sacas, quando o programa estabelecia 300 sacas por produtor.  Na opinião de Lian, o programa foi todo montado para beneficiar as cooperativas e os grandes produtores, pois os pequenos cafeicultores tiveram acesso a 50 sacas e 80 sacas. Ele classifica "mentira deslavada" a afirmação de Bertone de que o leilão de Pepro do ano passado foi discutido no âmbito do Conselho Deliberativo da Política Cafeeira (CDPC), do qual fazem parte todos segmentos da cadeia do café. Segundo Lian, na reunião convocada para debater o tema o presidente do Conselho Nacional do Café Gilson Ximenes disse que não estava preparado para discutir o mecanismo. "A reunião acabou e passados uns dias o Departamento de Café pediu sugestões aos membros do CDPC. Nós mandamos as sugestões e no dia seguinte foi publicado o edital do Pepro. Num universo de 300 mil cafeicultores, porque somente os 20 mil cooperativados foram beneficiados. Mesmo assim, como foi a distribuição dos prêmios no universo de produtores beneficiados. Quando ele falta 20 mil, está se referindo ao total de produtores associados às cooperativas e não ao número exato de produtores que tiveram acesso ao programa. "Eu quero saber, dos 20 mil produtores quando sacos ele deu para cada um dos 20 mil cafeicultores. Em relação à observação de Bertone de que os exportadores estariam sendo beneficiados com utilização de créditos do PIS Cofins, João Antonio Lian disse que a medida foi implementada para evitar a alta dos preços do café no mercado interno. "Quando vendemos café para o torrefador repassamos o crédito integral. Para nós seria bom se desonerasse tudo. Não temos interesse nenhum em receber um crédito fiscal que o governo não paga."

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