BHG compra Hotel Intercontinental, no Rio

O valor da compra não foi divulgado, mas serão investidos R$ 25 milhões para tornar unidade a segunda do grupo com cinco estrelas no País

Alexandre Rodrigues, de O Estado de S. Paulo,

28 de dezembro de 2010 | 22h30

O grupo hoteleiro Brazil Hospitality Group S.A. (BHG), que opera a bandeira Golden Tulip na América do Sul, oficializou na terça-feira, 28, a compra do Hotel Intercontinental, na zona sul do Rio. O hotel, que pertencia à Brookfield e tem 418 quartos, receberá da BHG R$ 25 milhões em investimentos para se tornar a segunda unidade do País com a bandeira cinco estrelas do grupo, Royal Tulip.

O valor do negócio não foi divulgado. A empresa, que fica na praia de São Conrado, ganhou repercussão internacional em agosto, ao ser invadido por traficantes da favela da Rocinha em fuga e que trocaram tiros com a polícia. Eles tentaram fazer de reféns funcionários e hóspedes, mas acabaram se entregando.

A aquisição marca o fim de um ano de forte crescimento da BHG, controlada pelo fundo GP Investimentos por meio de aquisições. Somente em 2010, a empresa elevou seu portfólio em 1,5 mil quartos, consolidando a posição de terceira maior rede hoteleira do País. Perde para a Accor e a Atlântica, mas, ao contrário das concorrentes, possui 2,8 mil quartos próprios entre os 6,6 mil que administra.

Pieter van Voorst Vader, presidente da BHG, diz que a companhia tem musculatura financeira para manter o ritmo de aquisições em 2011. "Nosso objetivo é crescer no mesmo ritmo, com 1,5 mil novos quartos", disse Vader ao Estado. Segundo ele, as conversas com a Brookfield começaram em abril. Ele disse que a invasão dos traficantes não influenciou o fechamento do negócio.

"O incidente não foi positivo nem negativo para o negócio. Aproveitamos a oportunidade, já que administrar hotel não é a atividade principal da Brookfield. Olhamos o potencial turístico no Brasil, especialmente no Rio", disse o executivo, lembrando que, por conta da geografia acidentada da cidade, outros hotéis estão perto de favelas. "A segurança está melhorando com a ocupação policial do atual governo e deve voltar à situação de anos atrás em pouco tempo."

Com os investimentos a serem feitos na modernização do Intercontinental, o hotel vai disputar o segmento de alto luxo na cidade com a bandeira Royal Tulip, que só é aplicada a uma das duas unidades do Complexo Golden Tulip de Brasília. Além do esperado incremento que a Copa de 2014 e a Olimpíada de 2016 vão deixar no turismo do Rio, Vader explica que o foco dos investimentos no Estado mira a renda em alta que impulsiona o turismo interno e o impacto econômico do petróleo e de empreendimentos de logística.

No início do mês, a BHG anunciou a construção de um hotel do segmento econômico Tulip Inn em Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense. O mesmo modelo será replicado em Itaguaí, no Grande Rio, que recebe investimentos no setor portuário e fica próximo ao futuro complexo petroquímico da Petrobrás. A rede ainda mira a região do Porto do Açu, de Eike Batista.

"Só este ano, investimos R$ 35 milhões em melhorias nos hotéis que operamos no Rio", disse Vader. A mesma lógica adotada no Rio guia a expansão nacional da rede, fruto da fusão entre Invest Tur e LAhotels em 2009.

Investimentos como a aquisição de dois hotéis em Belém (PA) indicam a demanda que empreendimentos como a hidrelétrica de Belo Monte criarão. "Nosso crescimento está ligado a perspectivas sustentáveis, seguindo estaleiros, investimentos do PAC, o agronegócio. Projetos que demandarão oferta hoteleira", disse o presidente da BHG.

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