Biocombustíveis podem ser remédio pior que doença, diz OCDE

Os biocombustíveis, festejados porreduzir a dependência energética, aumentar a receita agrícola eajudar a combater as alterações no clima, na verdade podemacabar sendo prejudiciais ao meio ambiente e encarecendo osalimentos, indicou um estudo da Organização para a Cooperação eo Desenvolvimento Econômico (OCDE). No relatório sobre o impacto dos biocombustíveis, divulgadonesta terça-feira, a OCDE disse que eles podem "promover umacura pior que a doença que tentam tratar". "A pressão atual para ampliar o uso de biocombustíveis estácriando tensões insustentáveis que vão abalar os mercados semgerar benefícios ambientais significativos", disse a OCDE. "Quando se levam em conta a acidificação, o uso defertilizantes, a perda de biodiversidade e a toxicidade dospesticidas agrícolas, o impacto geral do etanol e do biodieselsobre o meio ambiente podem superar fácil os do petróleo e dodiesel mineral", afirmou a organização. Dessa forma, a OCDE pediu aos governos que cortem ossubsídios para o setor e que incentivem as pesquisas paraencontrar tecnologias que evitem a concorrência pela terrausada para a produção de alimentos. Para a OCDE, os incentivos fiscais adotados em muitasregiões, como na União Européia e nos EUA, podem esconderoutros objetivos, como proteger a agricultura da aberturacomercial. A organização orientou os membros da Organização Mundial doComércio (OMC) a aumentar os esforços a fim de reduzir asbarreiras às importações de biocombustíveis, para permitir aentrada de países em desenvolvimento que têm sistemasecológicos e climáticos mais adequados à sua produção. Também aconselhou os governos a tentar reduzir a demandapor combustível nos transportes, em vez de incentivar aprodução dos chamados combustíveis "verdes". "Um litro de gasolina ou diesel conservado porque umapessoa caminha, anda de bicicleta, pega carona ou ajusta omotor de seu carro muitas vezes é um litro de gasolina oudiesel economizado a um custo muito menor que subsidiar novasfontes ineficientes", disse o texto. Os biocombustíveis, fabricados principalmente a partir degrãos, sementes e açúcar, vêm sendo responsabilizados peloaumento nos preços dos commodities, junto com outros fatorescomo a menor produção.

SYBILLE DE LA HAMAIDE, REUTERS

11 de setembro de 2007 | 13h38

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