Black Friday e sua versão chinesa: como aproveitar ofertas sem correr riscos

Black Friday e sua versão chinesa: como aproveitar ofertas sem correr riscos

Diretor do site Reclame Aqui explica quais os golpes mais comuns e os cuidados que se deve tomar para evitar dores de cabeça

Entrevista com

Diego Campos

Raquel Brandão, Especial para O Estado de S. Paulo

06 de novembro de 2014 | 12h31


Na próxima terça-feira, 11, o site chinês AliExpress vai promover pela primeira vez no Brasil o "Festival de Compras", evento que marca o 'Dia dos Solteiros' na China e transformou-se na maior promoção do comércio online no mundo. 

Só no ano passado, a liquidação, até então restrita à China, registrou vendas de mais de US$ 5,75 bilhões. O evento antecede a tradicional Black Friday americana, que no Brasil está em sua quarta edição.

Se a 'Black Friday' já causou problemas para muitos consumidores, chegando a ser apelidada por internautas de 'Black Fraude', por causa de falsos descontos, uma boa recomendação é tomar cuidado também com a versão chinesa da promoção.

"Convém conferir com antecedência de uma semana ou dez dias os valores do produto nos principais sites", sugere Diego Campos, diretor de operações do Reclame Aqui, especializado em queixas de consumidores. Na entrevista a seguir, ele dá outras orientações para quem quer aproveitar as promoções online sem risco de futuras dores de cabeça:

Quais os principais golpes aplicados em compras online?

Os mais comuns são os e-commerces de fachada. Eles vendem produtos muito desejados pelos consumidores, mas não têm mercadoria para entregar. Eles oferecem tudo a preços muito baixos apenas com a intenção de pegar o dinheiro. Não há uma relação de consumo. Mas esses golpes já foram mais frequentes no passado.

Existe algum golpe novo?

Atualmente os golpes são mais de voltados para fraudes financeiras, então quem é mais afetado são os próprios e-commerces que acabam vendendo para cartões de créditos de terceiros. 


Em quais produtos o consumidor corre mais riscos de cair num golpe?

Geralmente são os eletrônicos. As pessoas têm o desejo de comprar smartphones, computadores o outros itens que custam muito caro no Brasil. Mas, a maior parte das reclamações não estão relacionadas a golpes, mas sim a prazo de entrega, em especial para eletroeletrônicos e produtos de linha branca.


Como saber se um site é seguro?

As pessoas devem comprar de sites que elas já conhecem ou que seja indicado por outras pessoas de seu convívio pessoal. Além disso, hoje a internet é uma ferramenta de grande ajuda. É bom pesquisar e ver quais os problemas que o site teve com outros consumidores. E procurar saber há quanto tempo a empresa está no mercado. Se for um domínio 'com.br', é possível consultar no site Registro.br desde quando desde quando ele existe. Geralmente os sites fraudulentos têm pouquíssimo tempo de existência.  


E quando o site é estrangeiro?

Para empresas do exterior a pesquisa e os cuidados devem ser ainda maiores, pois não há como acioná-las na justiça brasileira. O consumidor deve perguntar a amigos e familiares sobre suas experiências de compra e tentar saber se aquela página é confiável.


Que cuidados o cliente deve ter ao comprar em sites estrangeiros?

Não se pode esquecer do imposto de importação. Às vezes, o preço parece muito atrativo mas o consumidor precisa lembrar que está fazendo uma importação direta. Então, o produto pode ser taxado em até 60% do valor. Além disso, para os sites internacionais o prazo de entrega costuma ser bem longo, variando de 40 a 60 dias  para os mais rápidos. E existem situações em que a demora é de mais de 90 dias. No caso dos sites chineses, é muito difícil rastrear a compra antes dela chegar ao Brasil.


Quais os riscos de promoções como a Black Friday?

Os problemas mais comuns na Black Friday são: a maquiagem de preço, que é quando a empresa aumenta o valor do produto alguns dias antes para depois anunciar uma 'oferta imperdível' e também os atrasos na entrega. Muitas pessoas aproveitam os valores mais baixos para fazer compras de Natal. As empresas esperam vender em um dia o que se vende em um mês. Por isso, não são raros os casos de demora na entrega da encomenda. 


Como proceder no caso de atraso ou de produto danificado?

A nossa recomendação é sempre publicar a reclamação no site Reclame Aqui e requerer o atendimento da empresa. Se o problema não for resolvido, a alternativa é a via judicial. O consumidor deve lembrar que a ação na justiça pode demorar três ou quatro meses para ser julgada e, apesar da reparação pelo dano, o problema pelo atraso, provavelmente não será resolvido.

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