Lucas Jackson/Reuters
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Alta de juros no Brasil está perto do fim, mas situação fiscal preocupa, diz BlackRock

A inflação no País ainda não chegou ao ponto de começar a cair, mas está perto, disse o economista Axel Christensen

Altamiro Silva Junior, O Estado de S.Paulo

11 de julho de 2022 | 11h47

O Banco Central do Brasil começou a subir os juros antes de seus pares e o ciclo de alta das taxas pode estar perto do fim, ao contrário dos Estados Unidos e Europa. Já a situação fiscal é bem mais preocupante, avalia Axel Christensen, diretor de estratégia de investimentos para a América Latina da BlackRock, a maior gestora do mundo, com US$ 10 trilhões em ativos. Nos ativos, o executivo vê oportunidades em títulos de renda fixa no País, do governo e de empresas.

"Certamente, há aspectos que estamos preocupados, em termos da situação fiscal, do crescimento da dívida pública e quais os tipos de decisões de política econômica serão tomadas em torno disso", afirmou Christensen. Há ainda o temor de que a alta generalizada dos preços possa provocar inquietações na sociedade, como aconteceu nos países vizinhos, que viram uma série de protestos nas ruas.

"O Banco Central do Brasil está muito mais perto de atingir o fim do ciclo de alta de juros do que o Federal Reserve, que apenas começou ou o Banco Central Europeu, que nem começou ainda", afirmou Christensen a três jornalistas brasileiros em apresentação para apresentar o novo cenário da BlackRock. Nesse ambiente, a incerteza sobre a política monetária na América Latina é menor que no mundo desenvolvido.

A inflação no Brasil ainda não chegou ao ponto de começar a cair, mas está perto, disse o economista. Pelo lado negativo, a alta mais intensa de juros pelo BC vai comprometer a atividade, afirmou Christensen. O economista vê chance acima de 50% de recessão na América Latina, justamente pelo alta de juros aqui ter sido mais rápida que em outras.

Em termos de aposta em ativos, Christensen observa que o processo de transição energética global, em direção a ativos mais verdes, beneficie as commodities, o que pode ajudar países da América Latina que são mais intensivos em matérias-primas, caso do Brasil. Com menos incerteza na política monetária, a gestora também vê oportunidades em títulos de renda fixa, de governos ou de empresas, em países como Brasil, México e Colômbia.

Eleições

Sobre as eleições em outubro, Christensen avalia que as pesquisas até agora mostram uma corrida presidencial sem muitas surpresas. Por isso, não deve haver grandes movimentos de mercado, a menos que haja alguma mudança não esperada nos nomes da disputa.

Um dos fatores a se monitorar é como ficará a nova configuração do Congresso após as eleições, pois isso vai ajudar a dar uma visão do espaço do próximo presidente da República para tocar sua agenda de políticas, disse o executivo da BlackRock.

O executivo da BlackRock diz que colocaria o Brasil em uma lista de mercados emergentes "seguros", mas alerta que o País enfrenta obstáculos importantes, como a baixa produtividade e o baixo crescimento estrutural da economia. Por isso, será importante quem o próximo presidente vai escolher para seu gabinete, pois vai sinalizar em que direção está indo a agenda econômica.

Para Christensen, quando perguntado sobre riscos institucionais no Brasil após as eleições, ele afirmou que existem, mas não diferem significativamente muito dos vistos em outros países. O Chile, por exemplo, está votando uma nova Constituição, enquanto nos Estados Unidos a Suprema Corte está fazendo algumas mudanças importantes, não só econômicas, mas sociais. É um ambiente no mundo que tende a ser marcado pelo crescimento de mudanças institucionais.

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