BM&FBovespa e BNDES chegam a Londres atrás de negócios

Estreia em um grande centro financeiro mundial reflete o interesse dos investidores estrangeiros pelo Brasil

Daniela Milanese, da Agência Estado,

03 de novembro de 2009 | 10h43

A BM&FBovespa e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) chegam a Londres nesta semana em busca de novos negócios. As duas instituições inauguram escritórios na capital britânica, em meio à visita oficial do governo brasileiro ao país.

 

A estreia de entidades nacionais em um dos grandes centros financeiros mundiais reflete o maior interesse dos investidores estrangeiros pelo Brasil. A City londrina sempre foi muito mais atuante nos emergentes da Ásia e do leste europeu e pouco voltada para a América Latina.

 

Essa resistência começa a ser quebrada agora, a partir da força exibida pela recuperação econômica do País, um dos primeiros a sair da recessão. "O Brasil está em um novo momento e ir para Londres significa captar esses investidores que já estão olhando para o País", disse Paulo Oliveira, diretor executivo de desenvolvimento e fomento de negócios da BM&FBovespa.

 

Para Jaime Gornsztejn, responsável pelo escritório do BNDES na City, a preferência por emergentes de outros continentes pode ser alterada daqui para frente. "A percepção sobre o Brasil mudou bastante no Reino Unido, eles estão mais otimistas porque o País saiu bem da crise."

 

Com o escritório de Londres, a BM&FBovespa abre sua terceira representação no exterior, ao lado de Nova York e Xangai, dentro de sua estratégia de internacionalização. O objetivo é dar apoio para corretoras brasileiras interessadas em fazer contatos nos mercados da Europa, Ásia e Oriente Médio, já que a capital britânica funciona como base.

 

Além disso, haverá ações de promoção e divulgação dos produtos da bolsa e visitas a clientes. O escritório começará funcionando com um gerente - escolhido no mercado local e já contratado, mas cujo nome ainda não foi relevado em razão da finalização de questões burocráticas. "Nossa expectativa é de crescimento, baseada em um novo segmento de investidores que poderão acessar o Brasil", disse Oliveira.

 

IOF para o capital externo

 

A inauguração acontece logo depois da criação do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) de 2% para o capital externo, um desafio para a BM&FBovespa. O diretor da bolsa acredita que a preocupação do governo federal com os efeitos do dinheiro especulativo é válida. No entanto, avalia que a taxação não funciona para equilibrar as entradas e saídas de recursos e nem desestimula o estrangeiro a investir no País, que na verdade passará a buscar outros caminhos. "A decisão só acaba empurrando os investidores para derivativos no mercado de balcão, que não são controlados e provocaram toda essa crise."

 

No caso do BNDES, a abertura de um escritório em Londres servirá para aproximar o banco do mercado financeiro internacional e facilitar a atração de investimento externo para o Brasil. Outro objetivo é dar apoio à internacionalização de empresas brasileiras, não só para a compra de companhias no exterior, mas também joint ventures e criação de subsidiárias. "É um produto que não está pronto ainda, estamos formatando os serviços."

 

O escritório do BNDES em Londres será inaugurado amanhã à noite, com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do presidente do banco, Luciano Coutinho.

 

A estreia da Bovespa na capital britânica acontece durante almoço na sexta-feira na Mansion House, residência oficial do prefeito da City, com a presença do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, além de Coutinho. O economista Eduardo Loyo fará palestra com o tema "Oportunidades de Investimento no Brasil".

 

Os eventos ocorrem em meio à visita oficial do governo brasileiro ao Reino Unido. Lula, que chega amanhã, também virá acompanhado da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, e do ministro da Fazenda, Guido Mantega. Na quinta-feira pela manhã, um seminário organizado pelo Financial Times reúne, além da equipe do governo, executivos como os presidentes da Vale, Roger Agnelli; do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco Cappi; do Santander, Emílio Botin; do BG Group, Robert Wilson; e da GDF Suez, Gerard Mestrallet.

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