BM&FBovespa quer eficiência para bater concorrentes

Antevendo a chegada de concorrentes no mercado financeiro doméstico, a BM&FBovespa vai calibrar os investimentos para ganhar eficiência e escala no Brasil e no exterior em 2010.

ALUÍSIO ALVES, REUTERS

24 de fevereiro de 2010 | 16h08

"Vamos deixar um osso duro de roer para os concorrentes que quiserem entrar no Brasil", disse o presidente-executivo da companhia, Edemir Pinto, a jornalistas, ao divulgar os resultados do quarto trimestre de 2009.

Nesse sentido, a principal meta da empresa agora é a junção em uma de suas quatro clearings (ações, ativos, câmbio e derivativos), o que deve acontecer até o terceiro trimestre de 2011.

Essa integração vai consumir parte dos 302 milhões de investimentos orçados pela bolsa para 2010. O restante será usado sobretudo para aumentar a capacidade de processamento das operações, à medida que a instituição espera uma explosão dos volumes.

Só no segmento pessoa física, o plano é elevar o total de investidores, dos cerca de 570 mil atuais para aproximadamente cinco milhões em cinco anos. Parte desse contingente virá do exterior, segundo o executivo.

"A ideia é trazer para a nossa bolsa investidores de mercados maduros, como Estados Unidos, Europa e Ásia."

Para isso, a BM&Bovespa planeja lançar no segundo semestre deste ano uma plataforma de negociação específica para investidores pessoa física de fora do Brasil. Por meio desse canal, os não-residentes poderão comprar e vender ações na Bovespa em dólar, sem a necessidade de conversão de moedas, explicou Edemir.

As ordens serão roteadas por meio de bolsas no exterior com as quais a BM&FBovespa já vem desenhando acordos operacionais, caso das norte-americanas Nasdaq e CME Group, a maior do mundo.

Com esta última, a bolsa brasileira firmou no último dia 12 acordo para elevar sua fatia na empresa dos atuais 1,8 por cento para 5 por cento do capital, que vai consumir investimentos de 620 milhões de dólares.

É por meio dessas parcerias que a instituição visualiza que subirá da terceira posição para a vice-liderança global no setor até 2012.

De acordo com Edemir, embora a BM&FBovespa disponha de caixa para quitar todo o investimento no CME Group, cerca de metade desse montante deve ser pago com a emissão de dívida.

Em paralelo ao aumento esperado no volume de negócios, a empresa prevê a volta das ofertas de ações aos níveis mais altos da história do mercado brasileiro, alcançados em 2007, movimento interrompido no ano seguinte pelos efeitos da crise global.

"Os problemas recentes da Grécia esfriaram um pouco os IPOs (ofertas iniciais de ações, na sigla em inglês), mas isso é momentâneo. Não vamos ficar no vermelho em relação a 2007", disse Edemir.

De acordo com o executivo, com as parcerias internacionais, a bolsa também vai incentivar a dupla listagem, tanto de companhias internacionais no mercado brasileiro, quanto das companhias domésticas em outros mercados.

TRIMESTRE

Foi exatamente o cenário de aumento do volume de negócios, num período de valorização do mercado acionário e de efervescência das ofertas de ações, que levantou os resultados da BM&FBovespa no final de 2009.

A empresa informou na terça-feira à noite que obteve lucro líquido de 220,2 milhões de reais de outubro a dezembro, resultado 8,8 por cento superior ao de igual período de 2008, na base proforma.

A receita líquida da companhia foi de 424,8 milhões de reais, 19,5 por cento maior que a de igual período de um ano antes.

Já a geração de caixa, medida pelo Ebitda (sigla em inglês para lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação), foi de 276,4 milhões de reais no trimestre, 17,3 por cento superior na comparação anual. A margem Ebitda, no entanto, teve redução de 3,1 pontos percentuais, passando de 68 para 64,9 por cento.

O crescimento das receitas foi impulsionado pelo salto de 56,4 por cento do volume médio diário de negociação na Bovespa, para 6,8 bilhões de reais.

Esse avanço foi favorecido em parte pela fraca base de comparação, já que o quarto trimestre de 2008 marcou o período mais agudo da crise financeira global, o que derrubou o preço das ações brasileiras e enxugou o volume de negócios.

Além disso, de outubro a dezembro de 2009 houve forte atividade das ofertas públicas de ações. Dos 46 bilhões de reais movimentados no ano, 24 bilhões de reais aconteceram neste intervalo, incluindo o gigantesco IPO do Banco Santander Brasil.

O resultado só não foi melhor devido ao avanço de 25,2 por cento das despesas operacionais, para 160,4 milhões de reais.

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