BNDES acha positiva ação do JBS; Furlan vê consolidação

O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, achou positivo o movimento do grupo JBS na aquisição da companhia norte-americana Pilgrim's Pride, o que marcou a entrada do gigante de carne bovina no setor de aves.

REUTERS

17 de setembro de 2009 | 16h33

"Acho que esse é um passo importante de uma empresa competente que aproveitou uma oportunidade no exterior, de uma empresa em recuperação judicial, para fazer aquisição. Foi uma iniciativa muito interessante", disse Coutinho a jornalistas nesta quinta-feira, após participar do Fórum Especial do Instituto Nacional de Autos Estudos (Inae).

Além da Pilgrim's, o JBS também anunciou na véspera um acordo para assumir o controle da Bertin, segunda maior empresa na área de carne bovina no Brasil.

O BNDES tem participação tanto na Bertin como na JBS e ficará com uma fatia de aproximadamente 22 por cento do capital da nova companhia.

Sobre o fato de o JBS também atuar, a partir de agora, em um setor que é dominado pela Brasil Foods, onde o banco também possui participação, Coutinho disse achar positivo.

"Acho bom que existam grupos concorrentes e a posição do banco é sempre apoiar as empresas brasileiras competitivas, com padrão de governança e gestão. A nossa diretriz é promover oportunidades de formar empresas brasileiras de classe mundial."

BEM-VINDOS

No mesmo evento, o agora concorrente Luiz Fernando Furlan, copresidente da Brasil Foods (BRF), também considerou positiva a diversificação para o segmento de aves e destacou que é uma demonstração do processo de consolidação pelo qual está passando o mundo.

"Eu vi a expansão muito positivamente, essa é uma tendência de consolidação em vários segmentos da economia", disse a jornalistas.

Segundo Furlan, a expansão das empresas brasileiras dará projeção internacional às companhias.

"A consolidação fortalece as empresas brasileiras e aumenta a possibilidade de protagonismo na competição mundial", afirmou.

Furlan evitou comentários sobre a concorrência entre a JBS e a BRF após as fusões e aquisições anunciadas este ano. "O mercado é aberto e todo dia aparecem competidores. Eles são bem-vindos".

O copresidente da BRF afirmou ainda que aguarda a decisão final do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) sobre a fusão entre Perdigão e Sadia para definir a estratégia internacional da nova empresa.

"Estamos aguardando uma liberação para ter uma estratégia competitiva no exterior de forma a não afetar a competição interna, mas certamente traria um ânimo maior para as exportações brasileiras."

(Reportagem de Rodrigo Viga Gaier)

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